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Petróleo fecha no nível mais alto desde 2022 depois que Irã prometeu que Estreito de Ormuz permanecerá fechado
O Irã advertiu nesta quinta-feira (12) que os Estados Unidos se arrependerão de ter iniciado a guerra contra a república islâmica e anunciou que manterá fechado o estratégico estreito de Ormuz, uma pressão adicional que levou o petróleo a fechar no nível mais alto desde 2022.
A guerra no Oriente Médio paralisou o Estreito de Ormuz e, consequentemente, uma parte essencial do tráfego mundial de hidrocarbonetos que passa pela região, o que provocou "a maior perturbação" do fornecimento de petróleo da história, segundo advertiu a Agência Internacional de Energia (AIE).
O barril de Brent, referência internacional para o petróleo, subiu 9,22% e fechou nesta quinta-feira em 100,46 dólares, um máximo desde agosto de 2022, enquanto o barril de West Texas Intermediate avançou 9,72%, até 95,73 dólares.
Em sua primeira mensagem como guia supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu vingança e afirmou que "deve ser utilizada a carta do bloqueio do Estreito de Ormuz", em um comunicado escrito que foi lido na televisão estatal e que não esclareceu os relatos sobre se ele está ferido.
Khamenei, designado no domingo, não apareceu em público desde o início da guerra desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, nos quais seu pai, Ali Khamenei, morreu.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, zombou e declarou que o novo líder supremo "não pode mostrar seu rosto em público".
A Guarda Revolucionária anunciou pouco depois que, em resposta às "ordens" de Khamenei, desferirão golpes mais duros contra seu inimigo e manterão "a estratégia de fechar o estreito de Ormuz".
O chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Larijani, declarou que seu país não cederá até que os Estados Unidos lamentem o "grave erro de cálculo" de ter lançado uma guerra contra a república islâmica.
- Israel anuncia ataques em grande escala em Teerã -
O Exército de Israel anunciou, ao cair da noite desta quinta-feira, que lançou uma nova onda de "ataques em grande escala" em Teerã.
Em Teerã, a população vive aterrorizada pelos bombardeios e um morador relatou que o estado psicológico de muitas pessoas é muito ruim porque pensavam que não haveria guerra.
"Muitos estão aterrorizados, tentam se tranquilizar mutuamente dizendo que apenas as instalações militares serão bombardeadas", contou o homem. "Mas a verdade é que as pessoas comuns são alvo dos ataques."
Além disso, cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do próprio país desde o início da guerra em 28 de fevereiro, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
- Irã autorizou a passagem de navios de alguns países por Ormuz -
Em sua mensagem, Khamenei incentivou os países do Golfo a fechar as bases militares dos Estados Unidos, alvo de ataques iranianos em represália pelas campanhas israelense e americana.
"Recomendo que fechem essas bases o mais rápido possível. Já devem ter percebido que a afirmação de que os Estados Unidos garantem segurança e paz não passa de uma mentira", assegurou.
O Irã permitiu que navios de alguns países cruzassem o Estreito de Ormuz, disse à AFP o vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, que desmentiu que a república islâmica tenha colocado minas nessa passagem estratégica para o trânsito de petróleo e gás.
Apesar das consequências econômicas do conflito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta quinta-feira que é mais importante impedir que o Irã obtenha armas nucleares do que controlar os preços do petróleo.
"Para mim, como presidente, é de um interesse e importância muito maiores deter um império do mal", disse em sua plataforma Truth Social.
Os países do Golfo reduziram sua produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia devido ao bloqueio da passagem de Ormuz, controlada de fato por Teerã, segundo um relatório da AIE, uma organização com sede em Paris.
Os 32 países membros dessa organização, entre eles os Estados Unidos, decidiram liberar um recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas.
- Uma "guerra de desgaste" -
Nesta quinta-feira foram ouvidas explosões no centro de Dubai, e o Bahrein denunciou durante a noite anterior um ataque iraniano contra depósitos de hidrocarbonetos.
Em Omã, os depósitos de combustível do porto de Salalah também pegaram fogo no dia anterior após o impacto de drones, segundo um vídeo publicado pela AFP, enquanto a Arábia Saudita informou sobre um novo ataque com aeronaves não tripuladas contra o campo petrolífero de Shaybah, no leste do país.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, reiterou que a estratégia do Irã é uma "guerra de desgaste" para "destruir toda a economia dos Estados Unidos" e "mundial", anunciou o alto comandante Ali Fadavi.
Em outra frente, Israel continuou seus ataques no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, com fortes bombardeios na capital do Líbano.
As autoridades libanesas registraram mais de 800 mil deslocados e quase 700 pessoas morreram no país desde 2 de março.
burs/lgo/maj/arm/pc/an/aa-jc/am
C.Bruderer--VB