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EUA faz novas ameaças ao Irã, que busca paralisar comércio de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta terça-feira (10) o Irã com "consequências militares" graves caso o país instale minas navais no Estreito de Ormuz, que se tornou o eixo da guerra, na qual Teerã mantém o tom desafiador.
Novas explosões sacudiram Teerã na noite de hoje, após os Estados Unidos anunciarem o dia de ataques "mais intenso" desde o começo da guerra, que ameaça o fornecimento de petróleo.
As explosões foram ouvidas a quilômetros de distância e fizeram vibrar o apartamento de um jornalista da AFP no norte da cidade. Mais tarde, durante a noite, ouviram-se novas explosões.
"As forças de defesa de Israel lançaram uma nova onda de ataques contra alvos do regime terrorista iraniano em Teerã", publicaram posteriormente militares israelenses, em seu canal no aplicativo Telegram.
Nos Estados Unidos, Donald Trump avisou ao Irã que não instale minas navais no Estreito de Ormuz, após Teerã afirmar que nenhum petróleo do Golfo vai passar por essa via marítima enquanto a guerra continuar. "As consequências militares para o Irã serão de um nível jamais visto", alertou Trump, na plataforma Truth Social.
Teerã rejeitou a ideia de um cessar-fogo. "Consideramos que o agressor deve ser punido", disse o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf. O país também pediu à ONU que "condene explicitamente a agressão israelense-americana", segundo a imprensa local.
O Irã lançou sua própria ofensiva de mísseis e drones contra Israel e monarquias petroleiras, algumas das quais abrigam bases dos Estados Unidos.
Na madrugada desta quarta-feira (11), a imprensa do Irã informou que a Guarda Revolucionária anunciou ter atacado bases americanas no Bahrein e no Curdistão iraquiano.
- Petróleo em queda -
Os preços do petróleo despencaram hoje, o que impulsionou boa parte das bolsas de valores mundiais, em um dia marcado pela atenção dos mercados ao trânsito de petroleiros pelo Golfo Pérsico.
A desaceleração dos preços começou após Donald Trump sugerir ontem que a guerra poderia terminar em breve. Essa tendência se manteve hoje, e se consolidou com força depois que o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, publicou no X que a Marinha de seu país havia escoltado um petroleiro no Estreito de Ormuz, o que o governo americano desmentiu posteriormente.
Em declaração enviada à AFP, o Departamento de Energia explicou que o vídeo compartilhado por Wright havia sido "legendado de forma incorreta".
A refinaria da Ruwais, nos Emirados Árabes, uma das maiores do mundo, suspendeu hoje sua produção, após um ataque com drones na região, informou uma fonte.
"Vimos duas bolas de fogo subirem do complexo, seguidas de barulhos fortes, que pareciam explosões", contou um taxista que transportava funcionários retirados do local. Nenhum dano foi anunciado oficialmente.
Os Estados Unidos exigiram que o Irã não faça a economia mundial refém. "As Forças Armadas iranianas não vão permitir a exportação de um único litro de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados até novo aviso", reagiu Ali Mohamad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária.
O diretor da gigante saudita do petróleo Aramco, Amin Nasser, disse ser "absolutamente crucial que o transporte marítimo seja retomado no Estreito de Ormuz".
A União Europeia recomendou uma redução dos impostos sobre a energia para compensar o aumento dos preços, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu que se evite "uma guerra sem fim".
A Agência Internacional de Energia (AIE) discutiu hoje a necessidade de recorrer aos estoques estratégicos de petróleo. O encontro foi concluído sem nenhum anúncio.
- Dia intenso -
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que hoje seria "o dia de ataques mais intenso". Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu "quebrar os ossos" do regime iraniano.
Moradores de Teerã contaram à AFP que muitas lojas estavam fechadas, assim como escolas e a maioria dos escritórios, bancos e agências governamentais. As comunicações foram limitadas e apenas a intranet local funciona.
O Ministério da Inteligência iraniano anunciou a prisão de 30 pessoas por suspeita de espionagem, incluindo um estrangeiro, cuja nacionalidade não foi revelada.
- Líder ferido -
As prisões aconteceram após a nomeação, como líder supremo do Irã, de Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público. Segundo a TV estatal, ele foi ferido na guerra.
Os ataques iranianos contra as monarquias petroleiras do Golfo continuavam. Kuwait e Arábia Saudita informaram que derrubaram drones. À noite, explosões foram ouvidas em Manama, capital do Bahrein.
No sul e leste do Líbano, o Exército israelense continuava sua ofensiva contra o movimento Hezbollah, que já deixou quase 760 mil deslocados desde o último dia 2, segundo o governo libanês.
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N.Schaad--VB