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China anuncia menor meta de crescimento em décadas
A China definiu a meta de crescimento anual mais baixa em décadas, entre 4,5% e 5%, mas fundamental nos planos do país para enfrentar a estagnação do consumo e a crise do mercado imobiliário.
Pequim também aproveitou sua emblemática reunião política anual, conhecida como "Duas Sessões", para anunciar um aumento de 7% no orçamento de defesa, o segundo maior do mundo, para contrabalançar os Estados Unidos e reforçar suas reivindicações sobre Taiwan e o Mar da China Meridional.
O país deve gastar 1,9 trilhão de yuans (US$ 276,8 bilhões, R$ 1,4 trilhão), o que ainda é aproximadamente três vezes menos do que os recursos destinados ao mesmo setor pelos Estados Unidos.
A China é a segunda maior economia do planeta e responde por um terço do crescimento mundial, mas enfrenta graves desequilíbrios estruturais e pressões comerciais de Washington, apesar de manter exportações sólidas.
"As conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar", afirmou o primeiro-ministro Li Qiang ao abrir, na manhã de quinta-feira, o encontro anual da Assembleia Popular Nacional (APN), o Parlamento chinês.
"Poucas vezes enfrentamos um panorama tão grave e complexo, no qual crises e desafios externos se entrelaçavam com dificuldades internas e decisões políticas difíceis", advertiu.
A meta de crescimento deste ano é a menor do país desde 1991, segundo uma análise da AFP. A única exceção foi 2020, quando Pequim não estabeleceu um objetivo devido ao impacto da pandemia de covid-19 sobre a economia.
- Metas para o "desenvolvimento" -
Milhares de parlamentares e líderes de toda a China se reuniram no Grande Salão do Povo, em Pequim, para a reunião, planejada nos mínimos detalhes e supervisionada pelo presidente Xi Jinping.
Eles aprovarão projetos de lei e reformas que, em grande medida, já foram decididas previamente por Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCC), durante uma semana do que analistas consideram um teatro político.
O Partido Comunista Chinês insiste que o modelo de crescimento econômico do país deve se afastar dos motores tradicionais, como as exportações e a manufatura, e mudar sua orientação para o consumo.
Outros "objetivos previstos para o desenvolvimento" em 2026 incluem um aumento dos preços ao consumidor de cerca de 2% e "um crescimento da renda dos residentes de acordo com o crescimento econômico", segundo o relatório apresentado por Li.
O crescimento econômico da China registra uma desaceleração há anos, com o amadurecimento da economia.
As fortes exportações impulsionaram a economia a crescer 5% em 2025, com um superávit comercial que atingiu o valor recorde de 1,2 trilhão de dólares (6,2 trilhões de reais), apesar de uma guerra comercial com os Estados Unidos que se prolongou por meses.
Durante as "Duas Sessões", Pequim também deve divulgar seu 15º Plano Quinquenal, que estabelecerá as metas de desenvolvimento nacional até 2030.
O plano se concentrará especialmente no desenvolvimento tecnológico em áreas como inteligência artificial, produção de alta tecnologia e segurança energética e de recursos.
J.Sauter--VB