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EUA e Israel garantem que resposta do Irã na guerra está perdendo força
Os governos de Estados Unidos e Israel afirmaram nesta quarta-feira (4) que o Irã está respondendo com força cada vez menor à sua ofensiva, no quinto dia de uma guerra que se estende por todo o Oriente Médio.
Desde o ataque israelense-americano lançado no sábado contra Teerã que iniciou o conflito, a República Islâmica respondeu com barragens de drones e mísseis contra Israel e alvos americanos no Golfo.
Washington e Israel asseguram que esses ataques estão perdendo intensidade.
O número de mísseis iranianos lançados contra Israel diminui "a cada dia", declarou um porta-voz do Exército israelense. Contudo, na madrugada desta quinta-feira (5, data local), essa força anunciou que emitiu um alerta para o centro do país e acionou as defesas aéreas para interceptar novos projéteis.
"Israel e Estados Unidos conseguiram juntos avanços históricos", considerou previamente o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"Agora estamos em uma posição de força", assegurou, por sua vez, o presidente americano, Donald Trump.
Primeira vítima colateral do conflito, o Líbano foi arrastado para a guerra pelo Hezbollah, que pretende "vingar" a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
"Não nos renderemos", insistiu na noite de quarta-feira o líder desse movimento islamista apoiado pelo Irã, Naim Qassem, enquanto o governo libanês deseja que o grupo entregue as armas.
Cidades como Dubai e Riade, que normalmente se mantêm à margem dos conflitos na região, também foram mergulhadas no caos, com embaixadas americanas fechadas, turistas retidos, milhares de voos cancelados e refinarias e navios-petroleiros atacados.
- Estreito de Ormuz bloqueado -
O conflito tem repercussão a milhares de quilômetros de Teerã: um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico em frente ao Sri Lanka, algo que não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial.
As autoridades cingalesas reportaram pelo menos 87 marinheiros mortos e dezenas de desaparecidos.
O Iraque também sente os golpes, depois que o Irã atacou, na região vizinha do Curdistão iraquiano, grupos armados da oposição curda hostis à República Islâmica.
Algo similar acontece na Turquia, após a interceptação de um míssil lançado do Irã. Segundo um alto funcionário turco, o alvo era provavelmente uma base militar no Chipre, um país da União Europeia.
No estratégico Estreito de Ormuz, o tráfego marítimo segue paralisado.
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), força considerada o exército ideológico da República Islâmica, reivindicou nesta quarta o controle "total" da passagem, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial.
O resultado? Os preços do petróleo continuam subindo.
- 'Escalada' no Líbano -
No Líbano, Israel ampliou o alcance de seus ataques e lançou operações terrestres no sul do país vizinho.
"Esta estratégia de escalada constitui um grave erro que coloca toda a região em perigo", lamentou o presidente francês, Emmanuel Macron, que também instou a "preservar a integridade territorial do Líbano" após uma reunião com os dirigentes de Estados Unidos e Israel.
Na noite desta quarta, três pessoas morreram em ataques israelenses nas imediações de Beirute, segundo as autoridades libanesas.
Estas últimas haviam reportado anteriormente 72 mortes e 83 mil deslocados desde o início da nova onda de violência, na segunda-feira.
No Irã, a agência de notícias oficial Irna informou, na quarta-feira, um balanço de 1.045 mortos, um número que a AFP não pôde verificar.
Seis militares americanos morreram, segundo o Pentágono. E dez pessoas morreram em ataques iranianos em Israel, segundo o serviço de emergência israelense.
Nos países do Golfo, os ataques iranianos causaram 13 mortes, incluindo uma menina de 11 anos que morreu na quarta-feira pela queda de escombros em uma área residencial no Kuwait.
- Concentrações em apoio a Khamenei -
Bombardeada sem descanso, Teerã parece uma cidade fantasma. Os moradores que não fugiram evitam sair às ruas.
"Teerã está tão deserta quanto ontem. As ruas que foram atingidas [pelos ataques] estão isoladas e os trabalhadores removem os escombros. Há batidas policiais por todas as partes", assegurou Abid, um morador da capital, na plataforma de mensagens Telegram.
As autoridades adiaram o funeral de Estado inicialmente previsto para a noite desta quarta-feira para o aiatolá Khamenei, que morreu no sábado no início da ofensiva de Israel e Estados Unidos.
Na noite desta quarta, milhares de pessoas se reuniram em diversos lugares do país para prestar homenagem a Khamenei, informou a televisão pública iraniana.
Alguns participantes portavam cartazes com slogans como "Morte aos Estados Unidos" e "Morte a Israel".
burs-myl/vla/arm/nn/rpr
E.Burkhard--VB