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OMC necessita de reforma urgente, adverte sua diretora
A Organização Mundial do Comércio (OMC) precisa urgentemente de uma reforma, advertiu nesta quarta-feira (11) sua diretora-geral, Ngozi Okonjo-Iweala, que considera que “o status quo não é uma opção”.
“Nos reunimos hoje em um ponto de inflexão decisivo, não apenas para a OMC, mas para o sistema multilateral”, declarou em coletiva de imprensa na sede da organização, em Genebra.
“Precisamos mudar para estarmos em sintonia com nosso tempo. O mundo evolui tão rápido… se observarmos a velocidade com que avança a tecnologia”, prosseguiu, aludindo à inteligência artificial e às tecnologias quânticas.
“Se a organização não se adaptar, então se verá ultrapassada”, previu.
A reforma da OMC será debatida mais uma vez durante a próxima conferência ministerial da organização, de 26 a 29 de março, em Iaundé, Camarões.
O tema, que vem sendo discutido há muitos anos, tornou-se mais urgente com a paralisação do órgão de apelação do mecanismo de solução de controvérsias desde 2019, em consequência do bloqueio dos Estados Unidos à nomeação de juízes.
Mas as discussões se intensificaram nos últimos meses em um contexto de tensões comerciais desde a volta do presidente americano, Donald Trump, à Casa Branca.
A OMC “proporciona estabilidade e previsibilidade”, argumentou a diretora da organização. “Apesar de todos os reveses, continua sendo o pilar de grande parte do comércio mundial”, reiterou. E advertiu: “Se não tivermos este sistema, será o caos”.
“Isso significa que uma empresa enviará mercadorias para algum lugar sem saber como serão avaliadas ao chegarem à alfândega. Tampouco saberá como seus bens serão precificados antes da aplicação das tarifas. Não saberá se vai ganhar dinheiro ou não”, explicou.
“Será confrontada, quando suas mercadorias chegarem, com normas das quais não fazia ideia”, ressaltou.
P.Staeheli--VB