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A descoberta inquietante durante busca por mineradores sequestrados no México
Nas montanhas florestadas do noroeste do México, a mobilização de mais de mil efetivos de segurança apresentou na sexta-feira (6) o primeiro resultado preocupante das buscas por dez mineradores sequestrados por criminoso do Cartel de Sinaloa, em uma região de minas em disputa.
Um corpo entre os muitos encontrados na zona do crime apresentou "características similares" às de um dos mineradores sequestrados em 23 de janeiro, informou a Procuradoria-Geral mexicana, que está trabalhando em sua identificação.
O rapto dos trabalhadores da mina de ouro e prata Pánuco, da empresa canadense Vizsla Silver, é o mais recente episódio da história de terror que o estado vivencia desde a eclosão de uma guerra interna no poderoso Cartel de Sinaloa em 2024, um grupo designado como "organização terrorista" pelos Estados Unidos.
"É muito difícil, já passamos por isso antes", afirma Roque Vargas, um homem sereno e de cabelos grisalhos, sentado à porta de sua casa simples em Chirimoyos, um pequeno povoado a cerca de 28 km do local da mina.
Há alguns meses, "têm ocorrido muitos sequestros e, por fim, o que detonou esta situação é a privação [da liberdade] dos mineradores, que provocou um escândalo a nível internacional porque era uma empresa estrangeira", acrescenta.
A mobilização de mais de mil efetivos é a maior que já se viu para uma busca de desaparecidos em Sinaloa. Também é inédito o sequestro de um grupo tão numeroso de trabalhadores de uma empresa internacional.
A Procuradoria-Geral informou que a força enviada realiza buscas e trabalhos de campo para encontrar todos os sequestrados nesta região, que anos antes da disputa interna do cartel já conhecia o terror de suas balas e ameaças.
- 'Temos medo' -
Os moradores desta comunidade, donos de pequenos e humildes terrenos onde cultivam alimentos e criam animais para subsistir, estão preocupados pois, no passado, já foram forçados a se deslocar por disputas internas do cartel, em 2017 e 2021, que fizeram a violência disparar e os arrastaram com ela.
Vargas conta que os criminosos chegaram a acusá-los de serem aliados da facção contrária para ameaçá-los e forçá-los a fugir. Eles também receberam acusações desse tipo das forças federais e estaduais.
"Tememos que o governo venha nos pressionar e nos obrigue a revelar o paradeiro dos mineradores. Não temos absolutamente nenhum vínculo, acordo, compromisso ou relação comercial com nenhuma das facções criminosas.", assegura Vargas.
As facções em disputa são Los Mayos e Los Chapitos, sendo que a segunda tem o domínio na região da mina, segundo o governo mexicano.
A riqueza mineral escondida sob a superfície de Concordia, que inclui prata, ouro, chumbo e zinco, tem sido um incentivo para que criminosos venham à região, ávidos por lucrar com os sequestros e extorsões.
Até 2015, a região sul de Sinaloa tinha 215 concessões para mineração, algumas em fase de exploração e outras em fase de aproveitamento.
- Vilarejo fantasma -
Roberto Carlos López, pesquisador da Universidade Autônoma de Sinaloa, indica que, até agora, o alvo dos criminosos eram pequenos garimpeiros artesanais, mas nunca uma empresa transnacional com operações de grande escala.
"São dez pessoas que não são delinquentes, mas trabalhadores, profissionais, engenheiros que representam uma mineradora muito importante, muito poderosa e transnacional", o que traz "mais pressão para as autoridades", disse López à AFP.
De acordo com os depoimentos de familiares, um comando armado retirou os operários à força de um acampamento montado na sede do projeto no vilarejo de Pánuco.
Agora, o local parece uma cidade fantasma. "Cerca de 200 pessoas deixaram Pánuco" por medo, afirma uma moradora, agora refugiada em Chirimoyos.
Durante as investigações foram localizados dez acampamentos vinculados ao crime organizado em um local próximo da mina.
No entanto, as descobertas mais chocantes, pelas pistas que oferecem sobre o possível destino dos mineradores, são duas valas comuns no povoado de El Verde, também em Concordia.
De lá saíram veículos do serviço de medicina forense carregando corpos e outros restos mortais, que exalavam odor putrefato, segundo testemunhas.
"As caminhonetes saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte, de corpos recentes", contou à AFP Marisela Carrizales, que integra um coletivo de buscas e se juntou aos esforços para encontrar os trabalhadores.
R.Buehler--VB