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Copom mantém taxa Selic em 15%, mas prevê 'flexibilização'
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) manteve, nesta quarta-feira (28), a taxa de juros de referência Selic em 15%, pela quinta vez consecutiva, na tentativa de conter a inflação, mas antecipou uma "flexibilização" a partir de março.
A decisão do Copom deve-se a um "ambiente externo ainda [...] incerto", segundo um comunicado do Banco Central, que cita os "reflexos nas condições financeiras globais" da política econômica dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve (Fed, banco central) manteve sua taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira.
"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica", acrescentou o Comitê de Política Monetária.
A taxa Selic está em seu nível mais alto desde julho de 2006, contrariando os desejos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que pede reiteradamente, desde que voltou ao poder em 2023, uma redução dos juros para estimular a economia.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 estão "acima da meta" de 3%, segundo o BCB, ao destacar que "segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira".
Contudo, o Banco Central prevê a possibilidade de uma "flexibilização da política monetária" a partir da próxima reunião do Copom em março.
Em 2025, a principal economia da América Latina esteve condicionada por fortes tensões comerciais com os Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, impôs em agosto tarifas de até 50% sobre os produtos brasileiros. Após uma aproximação do governo Lula, Washington anunciou isenções para vários setores, incluindo o café e a carne bovina, dos quais o Brasil é o maior produtor e exportador mundial.
- 'Absurdo' -
Alguns operadores do mercado esperavam uma redução da Selic em janeiro, após a desaceleração da inflação em 2025, que fechou em 4,26%, dentro da margem de tolerância estabelecida pelas autoridades monetárias.
Lula, que não esconde sua intenção de concorrer a um quarto mandato nas eleições de outubro, comemorou o alívio inflacionário.
Mas a decisão de manter o nível da taxa básica de juros está em linha com o antecipado por analistas no último boletim Focus do Banco Central.
O BCB elevou a Selic por sete vezes consecutivas entre setembro de 2024 e junho de 2025, e a deixou inalterada em julho, setembro, novembro e dezembro do ano passado.
A inflação pode cair para 4,00% em 2026, segundo as estimativas das instituições financeiras consultadas pelo Focus.
Lula tem criticado repetidamente o Banco Central por manter juros elevados, com o argumento de que prejudicam o crescimento econômico do país.
Uma redução da Selic facilita a concessão de crédito, o que dá impulso ao consumo e aos investimentos.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou, nesta quarta, de "um absurdo" a manutenção da taxa em 15%, segundo declarações difundidas pela imprensa brasileira antes do anúncio da decisão do Copom.
K.Hofmann--VB