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Indignação cresce nos EUA após detenção de criança de cinco anos em operação contra imigrantes
A detenção de um menino de cinco anos durante uma operação contra imigrantes em Minneapolis gerou revolta nesta sexta-feira (23) nessa localidade, onde o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, defendeu as ações dos agentes.
Milhares de militares do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) estão destacados em Minneapolis como parte da campanha do presidente Donald Trump contra a imigração irregular.
O vice-presidente confirmou na quinta-feira que Liam Conejo Ramos está entre os detidos, mas explicou que os agentes tentaram protegê-lo depois que seu pai "fugiu" de uma operação.
"O que acham que deveria acontecer? Deveriam deixar um menino de cinco anos morrendo de frio?", questionou.
Vários políticos do partido democrata criticaram a ação.
O congressista democrata Joaquín Castro rejeitou a explicação de Vance e qualificou as autoridades de Segurança Interna dos EUA como "mentirosos compulsivos".
Acrescentou, ainda, que sua equipe não conseguiu localizar o menor, que, segundo relatos, foi levado junto com o pai para um centro de detenção em San Antonio, Texas.
A ex-vice-presidente Kamala Harris também rejeitou a captura do menor: "Liam Ramos é apenas uma criança. Deveria estar em casa com sua família, não sendo usado como isca pelo ICE e mantido em um centro de detenção no Texas", escreveu no X.
Harris publicou uma foto do menino com um gorro azul de coelho enquanto alguém parece segurá-lo pela mochila.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou o governo federal por tratar crianças "como criminosos".
Convocações para um ato contra o ICE circulam nas redes sociais, e é esperada uma manifestação no centro de Minneapolis nesta sexta-feira.
O advogado Marc Prokosch afirmou que o menino e seu pai cumpriram os procedimentos legais ao solicitar asilo em Minneapolis, uma cidade santuário na qual a polícia não coopera com as operações migratórias federais.
Vance afirmou que "a falta de cooperação" dificulta os esforços do ICE e aumenta as tensões.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou nesta sexta-feira a sua preocupação diante dos "abusos rotineiros" das autoridades americanas contra imigrantes e refugiados, e instou a "encerrar práticas que estão destruindo famílias".
Minneapolis é palco de protestos cada vez mais tensos desde que uma mulher foi morta por um agente do ICE em 7 de janeiro durante uma operação anti-imigração.
O agente que atirou, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado de qualquer crime. Trump e seus funcionários defenderam rapidamente suas ações como legítima defesa.
A.Zbinden--VB