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Equador impõe à Colômbia tarifa de 30% por falta de cooperação em segurança
O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou, nesta quarta-feira (21), que vai impor uma tarifa aduaneira de 30% às importações da vizinha Colômbia diante da falta de apoio em sua luta contra a violência do narcotráfico na fronteira comum.
Os dois países compartilham uma fronteira de 600 km que se estende do Pacífico até a floresta amazônica, onde a guerrilha colombiana e organizações atuam no tráfico de drogas e armas, além do garimpo ilegal.
"Nossos militares seguem enfrentando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira sem qualquer cooperação", escreveu no X Noboa, que participa do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Ele acrescentou que, "diante da falta de reciprocidade e ações firmes, o Equador adotará uma taxa de segurança de 30% às importações provenientes da Colômbia desde primeiro de fevereiro".
O presidente equatoriano, que em 2024 declarou guerra ao narcotráfico, assinalou que a medida "será mantida até que exista um compromisso real para enfrentar juntos o narcotráfico e o garimpo ilegal na fronteira, com a mesma seriedade e decisão que o Equador assume hoje".
- Um assassinato por hora -
"Temos feito esforços reais de cooperação com a Colômbia, inclusive com um déficit comercial que supera 1 bilhão de dólares anuais" (R$ 5,3 bilhões, na cotação atual), disse Noboa.
Ele acrescentou que seu país luta sozinho contra o crime na conturbada zona fronteiriça, apesar de ter "insistido no diálogo" com Bogotá para enfrentar a violência em conjunto.
A Colômbia é o principal parceiro comercial do Equador na Comunidade Andina, que também inclui a Bolívia e o Peru. Em 2024, as exportações equatorianas para a Colômbia totalizaram aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,53 bilhões), enquanto as importações atingiram US$ 2,11 bilhões (R$ 11,25 bilhões), segundo o Banco Central do Equador.
Noboa, no poder desde novembro de 2023, declarou guerra a mais de vinte grupos criminosos com ligados a cartéis internacionais, que em sua sangrenta luta pelo poder transformou o Equador na nação mais violenta da região, com 52 homicídios por 100 mil habitantes em 2025 — o equivalente a um por hora, segundo o Observatório Equatoriano do Crime Organizado.
O Equador está situado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína e por seu território circulam 70% desta droga com destino a mercados de Estados Unidos, Europa e Oceania.
- "Não o faz" -
Durante uma visita a Quito, o ministro do Interior, John Reimberg, declarou à imprensa que as autoridades colombianas "não estão tomando as medidas corretas para impedir o cultivo, o processamento e o envio" de drogas para o Equador.
"Sabemos que foi dada ordem às autoridades militares da Colômbia para recuarem da fronteira em aproximadamente 50 quilômetros", afirmou o ministro.
"Todos devemos assumir a responsabilidade" pela luta contra o crime organizado, e a Colômbia "não o faz, e acredito que esta medida (tarifária) seja exatamente a resposta necessária", acrescentou o ministro.
Em dezembro passado, o governo equatoriano manteve aberta apenas uma passagem de fronteira com a Colômbia (Rumichaca) e outra com o Peru (Huaquillas) por "razões de segurança nacional".
As fronteiras do Equador, com seus rios e áreas de selva, são permeáveis e possuem inúmeras passagens ilegais utilizadas para o contrabando.
K.Hofmann--VB