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Agricultores fazem filas de tratores em protesto contra acordo UE-Mercosul em Paris
Cerca de 350 tratores foram vistos em Paris nesta terça-feira (13) para exigir "ações concretas e imediatas" do governo francês, em um novo dia de protestos contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Desde o início de novembro, as manifestações do setor agrícola se multiplicam na França, motivadas pela assinatura prevista para este sábado do acordo comercial entre UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, apesar da oposição da França.
"A revolta camponesa é retomada hoje e ficaremos aqui até termos respostas. Pedimos para ser recebidos pelo primeiro-ministro", declarou às suas tropas Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola.
A FNSEA levou seus tratores à Assembleia Nacional (câmara baixa) nesta terça-feira, após os protestos da semana passada de seus rivais da Coordenação Rural, segundo principal sindicato agrícola, e da Confederação Camponesa.
A prefeitura de polícia de Paris, que autorizou a manifestação na noite de segunda-feira, informou a presença de 350 tratores na capital, embora Greffin tenha estimado que seu número poderia chegar a 500.
Os anúncios do governo francês na sexta-feira não conseguiram acalmar a ira de agricultores e pecuaristas, que expressam seu cansaço com a situação de uma profissão que enfrenta dificuldades climáticas e econômicas.
"Estamos no limite. Faz três anos que não geramos renda em nossas propriedades. Os políticos são incapazes de nos dar um rumo", declarou o agricultor Guillaume Moret, de 56 anos, em frente à Assembleia Nacional.
O governo anunciou na sexta-feira um pacote de "300 milhões de euros" (1,9 bilhão de reais, na cotação atual) para o setor, um aumento do número de lobos que podem ser abatidos e medidas para "destravar" projetos de irrigação.
Mas a FNSEA também quer "uma moratória sobre todos os temas relacionados à água" e a "suspensão da última versão" da legislação que regula os planos para a dispersão de fertilizantes, entre outros.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, assegurou no canal TF1 que "o diálogo" continua com os agricultores, citando especialmente os temas da água e da adaptação à mudança climática.
A assinatura do acordo UE-Mercosul, cujo impacto assusta os agricultores e pecuaristas na França, aumentou a pressão sobre o governo francês, em minoria desde 2024 e que enfrentará duas moções de censura esta semana.
bur-sb-meh-tjc/avl/yr/aa
M.Vogt--VB