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Exército sírio afirma controlar último bairro curdo em Aleppo, mas milicianos negam
O Exército sírio afirmou, neste sábado (10), ter tomado o último bairro de Aleppo ainda controlado pelos combatentes curdos, que negaram a afirmação e disseram que os confrontos continuam.
Correspondentes da AFP no local relataram ter ouvido tiros pela manhã e visto um grande número de forças governamentais entrando na área.
Desde o início dos confrontos na terça-feira, pelo menos 21 civis morreram, segundo fontes de ambos os lados, e dezenas de milhares fugiram desta importante cidade no norte da Síria.
Os curdos controlam grande parte do nordeste do país, ao leste de Aleppo, desde os anos da guerra civil, e possuem sua própria administração e forças armadas, as Forças Democráticas da Síria (FDS).
O governo islamista instalado em Damasco após a queda de Bashar al-Assad no final de 2024 assinou um acordo com os curdos em março para integrá-los às novas instituições estatais, mas o pacto está paralisado.
Ambos os lados agora se acusam mutuamente de terem iniciado o surto de violência em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria.
"Anunciamos o fim de uma operação de segurança abrangente no bairro de Sheikh Maqsud, em Aleppo", declarou o exército em um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial Sana, instando os moradores a permanecerem em suas casas.
As forças curdas negaram essa versão "infundada", afirmando que pretendem "continuar resistindo" após o ataque do exército com tanques e "bombardeios de artilharia brutais".
"A única opção para os elementos armados na área de Sheikh Maqsud, em Aleppo, é se render imediatamente, com as armas em punho, no posto de controle militar mais próximo, em troca de garantias para suas vidas e segurança pessoal", alertou anteriormente o Ministério da Defesa sírio, citado pela Sana.
O Exército sírio também anunciou a captura de Ashrafieh, o outro bairro controlado pelos curdos em Aleppo.
Na sexta-feira, o governo instou os combatentes curdos a deixarem a cidade e prometeu levá-los em segurança para áreas sob o controle da autoridade autônoma curda mais a leste.
Mas os milicianos se recusaram a render-se e as forças governamentais, reforçadas por tropas adicionais, retomaram os ataques naquela noite.
Apesar desses confrontos, os curdos permanecem dispostos a continuar as negociações com Damasco para a integração de suas instituições ao governo central.
"Com esses ataques, o governo está tentando encerrar os acordos. Mas continuamos comprometidos com eles e estamos trabalhando arduamente para implementá-los", disse Elham Ahmed, chefe de relações exteriores da administração local curda, à AFP.
S.Gantenbein--VB