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Exército sírio bombardeia áreas curdas de Alepo que os combatentes se recusaram a evacuar
O Exército sírio retomou nesta sexta-feira (9) seus bombardeios em um bairro curdo de Aleppo depois que combatentes dessa minoria se recusaram a sair, desafiando as autoridades, que haviam decretado um cessar-fogo.
A violência, que deixou ao menos 21 mortos desde terça-feira, é a mais grave registrada em Aleppo entre o governo central e os curdos, importante minoria étnica que controla parte do nordeste do país.
Os confrontos obrigaram dezenas de milhares de civis a fugir, e a ONU estima que pelo menos 30 mil famílias tenham sido deslocadas.
Na manhã de sexta-feira, as autoridades haviam anunciado um cessar-fogo e afirmado que os combatentes curdos cercados nos bairros de Sheij Maqsud e Ashrafieh seriam evacuados para a zona autônoma curda existente no nordeste do país.
As autoridades chegaram a disponibilizar ônibus para evacuar os combatentes, mas estes anunciaram que rejeitavam qualquer "rendição" e afirmaram querer defender seus bairros.
Diante disso, o Exército sírio anunciou que retomaria os bombardeios a "alvos militares" em Sheij Maqsud e instou a população a se afastar da área.
O Ministério sírio da Defesa declarou que um depósito de munições de um desses alvos havia sido destruído.
Um correspondente da AFP constatou bombardeios de artilharia e tiros na noite de sexta-feira.
Durante o dia, o Exército permitiu a evacuação de civis por meio de dois "corredores humanitários", durante duas horas. Um correspondente da AFP viu moradores do bairro de Sheij Maqsud deixando o distrito, sob chuva e carregando malas.
Os curdos, por sua vez, afirmaram no fim da tarde que o bairro havia sido "violentamente bombardeado por facções ligadas ao governo de Damasco".
Já a televisão síria acusou os curdos de terem lançado drones contra bairros residenciais de Aleppo.
- Emissário americano a caminho -
A violência eclodiu em um contexto de tensões entre as duas partes, incapazes de aplicar um acordo firmado em março que buscava integrar as instituições da administração autônoma curda e suas forças armadas, as Forças Democráticas Sírias (FDS), ao novo Estado.
Ainda assim, os curdos desejam respeitar os acordos fechados com Damasco, segundo disse à AFP nesta sexta-feira um alto funcionário da administração local curda.
"A parte governamental busca, com esses ataques, pôr fim aos acordos alcançados. Nós estamos comprometidos com eles e nos esforçamos para colocá-los em prática", declarou Elham Ahmed, responsável pelas relações exteriores.
A dirigente também "agradeceu" aos Estados Unidos por seu papel de mediador.
Uma fonte diplomática disse à AFP que o emissário americano para a Síria, Tom Barrack, estava "a caminho de Damasco".
- Rivalidades regionais -
A violência exacerba a rivalidade na Síria entre Israel e a Turquia, que disputam influência desde a queda de Bashar al Assad, em dezembro de 2024.
Ancara, aliada das autoridades sírias, afirma estar disposta a "apoiar" o Exército em sua "operação antiterrorista" contra os combatentes curdos. A Turquia, que tem uma fronteira de mais de 900 quilômetros com a Síria, realizou entre 2016 e 2019 várias operações de grande envergadura contra as forças curdas.
Israel, que mantém negociações com Damasco para alcançar um acordo de segurança, condenou os "ataques" do poder sírio contra a minoria curda.
O dirigente sírio, Ahmad al Sharah, abordou a situação em Aleppo durante uma ligação com seu par turco, Recep Tayyip Erdogan, ressaltando estar determinado a "pôr fim à presença armada ilegal" na cidade, indicou a presidência síria.
Ele também manteve uma conversa com o presidente francês, Emmanuel Macron, a quem assegurou que o poder considera os curdos como "parte integrante do tecido nacional e um parceiro essencial na construção do futuro da Síria".
T.Suter--VB