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Venezuela começa a libertar presos políticos sob pressão de Trump
A Venezuela começou a libertar um "número significativo" de presos políticos, o que, segundo o presidente americano Donald Trump, fez com que os Estados Unidos cancelassem uma segunda onda de ataques a este país, após a operação militar lançada em 3 de janeiro para capturar Nicolás Maduro.
"A Venezuela está libertando grandes quantidades de presos políticos como sinal de que estão 'buscando a paz' (...). Por esta cooperação, cancelei uma segunda Onda de Ataques prevista", escreveu o mandatário republicano nesta sexta-feira (9) em sua plataforma Truth Social.
Trata-se de "um gesto muito importante e inteligente", acrescentou.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou na quinta-feira a iminente libertação de um "número importante" de detidos por razões políticas.
Pouco depois foram libertados cinco espanhóis, entre eles a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, de dupla nacionalidade.
O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, assinalou nesta sexta-feira que Madri ainda espera a libertação de outro espanhol.
Este primeiro grupo deve chegar à Espanha nesta sexta-feira.
O ex-candidato presidencial Enrique Márquez e do ex-deputado Biagio Pilieri, próximo da líder opositora e prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, também foram soltos na quinta-feira.
"Já terminou tudo", disse Márquez, detido há um ano, ao ser recebido por seus familiares.
Estas são as primeiras libertações sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, que assumiu após os bombardeios dos Estados Unidos.
- "Respeitar a vontade do povo venezuelano" -
O papa Leão XIV mostrou-se extremamente preocupado com as tensões no Caribe e no Pacífico, pedindo respeito à "vontade do povo venezuelano".
"A escalada de tensões no mar do Caribe e ao longo da costa pacífica americana é motivo de grave preocupação (...) Isto diz respeito em particular à Venezuela, à luz dos acontecimentos recentes", afirmou nesta sexta-feira em sua audiência aos membros do corpo diplomático credenciados junto à Santa Sé.
"Renovo o meu apelo para respeitar a vontade do povo venezuelano e preservar os direitos humanos e civis de todos, garantindo um futuro de estabilidade e concórdia", acrescentou o pontífice.
Trump, que declarou estar no comando da Venezuela, deve receber na próxima semana María Corina Machado, que se ofereceu para lhe entregar seu Nobel.
"Entendo que ela virá em algum momento na próxima semana. Estou ansioso para cumprimentá-la", disse o presidente americano ao canal Fox News, no qual considerou que "seria uma grande honra" se ela lhe desse o prêmio que ele próprio cobiçava.
No entanto, em Oslo, o Instituto Nobel declarou que o prêmio "não pode ser revogado ou transferido para outra pessoa".
"Uma vez anunciado o(os) vencedor(es), a decisão permanece para sempre", acrescentou o porta-voz do instituto, Erik Aasheim, detalhando que, entretanto, o laureado tem a liberdade de fazer o que considerar oportuno com o dinheiro da premiação.
- Encontro com petroleiras -
Trump garantiu que as multinacionais petroleiras investirão pelo menos 100 bilhões de dólares (R$ 538,5 bilhões, na cotação atual) na Venezuela, cuja indústria está sob sanções dos Estados Unidos desde 2019, durante o seu primeiro mandato.
"Pelo menos 100 bilhões de dólares serão investidos pelas grandes companhias petroleiras com as quais me reunirei hoje na Casa Branca", escreveu o mandatário nesta sexta-feira na Truth Social.
Trump parabenizou-se pela "cooperação" com a Venezuela, "em particular no que diz respeito à reconstrução (...) das infraestruturas petrolíferas e gasíferas".
Em meio às afirmações do republicano de que ditará decisões ao governo interino, Delcy Rodríguez negou na quinta-feira que seu governo esteja subjugado.
"Não estamos subordinados nem estamos submetidos", assegurou em uma homenagem aos 100 mortos na operação americana, incluindo 32 cubanos. "Temos compromisso e lealdade" com Maduro, acrescentou, sustentando que durante o ataque "ninguém se entregou" e "houve combate".
O presidente deposto, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para Nova York, onde enfrentam acusações de tráfico de drogas e terrorismo.
Os ataques americanos provocaram cerca de uma centena de mortos, segundo o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello.
F.Mueller--VB