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Exército sírio bombardeia áreas curdas da cidade de Aleppo
O Exército sírio bombardeou, nesta quinta-feira (8), bairros curdos da cidade de Aleppo, após advertir os civis para que deixassem a área, no terceiro dia de combates que já deixaram 21 mortos, segundo dados das forças curdas e do governo.
Os confrontos, que começaram na terça-feira, são os mais violentos registrados até agora entre as forças do governo sírio e as tropas curdas, diante das dificuldades para aplicar um acordo destinado a integrar a administração do nordeste do país às novas autoridades nacionais.
A gravidade da situação atingiu um nível tal que a Turquia já anunciou que está pronta para intervir ao lado das autoridades sírias contra as forças curdas.
As autoridades sírias anunciaram, nesta quinta-feira, a implementação de um "toque de recolher total" e "até nova ordem" em vários bairros de Aleppo, inclusive nas áreas de maioria curda.
O acordo, assinado em março do ano passado, prevê que as Forças Democráticas Sírias (FDS, de maioria curda) deveriam ser integradas ao Estado sírio antes do fim do ano, mas sua implementação está paralisada.
Os curdos controlam um vasto território no nordeste do país, na fronteira com a Turquia, rico em petróleo e trigo.
As autoridades sírias aceitaram implementar corredores humanitários para que os civis deixassem a área. De acordo com essas autoridades, cerca de 16.000 pessoas fugiram da região nesta quinta-feira. Na véspera, outros milhares já tinham feito o mesmo.
As FDS, que contam com apoio dos Estados Unidos e de Israel, estiveram na linha de frente do combate ao grupo jihadista Estado Islâmico, derrotado na Síria em 2019.
Mas, desde a derrubada do presidente Bashar al Assad em dezembro de 2024, os curdos mantêm relações tensas com o poder central.
"Passamos por momentos muito difíceis [...] meus filhos estavam aterrorizados", disse Rana Issa, de 43 anos, cuja família fugiu do bairro de Ashrafieh sob fogo de atiradores de elite.
"Muitas pessoas querem ir embora", mas temem os atiradores, disse Issa à AFP.
Os voos seguem suspensos no aeroporto de Aleppo e correspondentes da AFP disseram que lojas, universidades e escolas permaneceram fechadas pelo segundo dia consecutivo.
K.Hofmann--VB