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Exército sírio iniciou intensos bombardeios sobre áreas curdas da cidade de Aleppo
O Exército sírio iniciou, nesta quinta-feira (8), um intenso bombardeio nos bairros curdos da cidade de Aleppo, após advertir os civis para que deixassem a área, no terceiro dia de combates que já deixaram 17 mortos.
Os confrontos, que começaram na terça-feira, são os mais violentos registrados entre as forças do governo sírio e as curdas até agora, diante das dificuldades para aplicar um acordo destinado a integrar a administração do nordeste do país às novas autoridades nacionais.
O acordo, assinado em março passado, prevê que as Forças Democráticas Sírias (FDS, de maioria curda) deveriam se integrar ao Estado sírio antes do fim do ano, mas sua implementação está paralisada.
Os curdos controlam vastas áreas no nordeste do país, ricas em petróleo e trigo.
As FDS, que contam com apoio dos Estados Unidos e de Israel, estiveram na linha de frente do combate ao grupo jihadista Estado Islâmico, derrotado na Síria em 2019.
Mas, desde a derrubada do presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024, os curdos mantêm relações tensas com o poder central.
"Passamos por momentos muito difíceis (...) meus filhos estavam aterrorizados", disse Rana Issa, de 43 anos, cuja família fugiu do bairro de Ashrafieh sob fogo de atiradores de elite.
"Muitas pessoas querem ir embora", mas temem os atiradores, disse Issa à AFP.
Milhares de pessoas foram deslocadas desde o início da violência nos bairros de Sheikh Maqsud e Ashrafieh, que deixou cerca de 17 mortos.
Os voos seguem suspensos no aeroporto de Aleppo, enquanto correspondentes da AFP relataram que lojas, universidades e escolas permaneceram fechadas pelo segundo dia consecutivo.
Civis fugiram dos dois bairros de maioria curda por corredores seguros, enquanto soldados revistavam os homens.
O líder das FDS, Mazlum Abdi, afirmou, por sua vez, que a violência compromete as negociações do acordo com o governo em Damasco.
"O destacamento de tanques e artilharia (...) o bombardeio e o deslocamento de civis desarmados e as tentativas de atacar bairros curdos durante o processo de negociação minam as possibilidades de alcançar entendimentos", afirmou Abdi em comunicado.
P.Keller--VB