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Líder do Irã reconhece descontentamento social, mas sobe tom contra protestos
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu neste sábado (3) as reivindicações econômicas dos manifestantes no Irã, mas advertiu que não haverá clemência para "arruaceiros" nessas manifestações que se espalharam por mais de vinte cidades.
Os protestos começaram há quase uma semana como uma expressão de descontentamento com os altos preços e a estagnação econômica, mas desde então se ampliaram para incluir reivindicações políticas.
"O presidente e os altos funcionários estão trabalhando para resolver" as dificuldades econômicas do país, castigado pelas sanções, disse Khamenei em um discurso por ocasião de uma festividade xiita.
"Os comerciantes protestam contra essa situação e isso é completamente justo", acrescentou.
Khamenei advertiu que, embora "as autoridades devam dialogar com os manifestantes, é inútil dialogar com os arruaceiros. Esses devem ser colocados em seu devido lugar".
Pelo menos doze pessoas morreram até agora nos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo números oficiais.
A agência de notícias Mehr anunciou a morte de um membro da Guarda Revolucionária "enquanto defendia a segurança do país" em Malekshahi.
Malekshahi é um condado com cerca de 20 mil habitantes, onde vive uma importante população curda. "Arruaceiros tentaram entrar em uma delegacia", indicou a Fars, outra agência, que informou que "dois agressores foram neutralizados".
Antes, a agência Mehr informou que um membro da milícia Basij morreu durante uma manifestação na cidade de Harsin, no oeste do país, onde ocorreu "uma concentração de desordeiros armados".
A agência Tasnim, citando uma autoridade local, também informou a morte na sexta-feira de um homem na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, quando uma granada que ele tentava utilizar explodiu "em suas mãos".
— Demandas políticas —
Os protestos concentram-se principalmente em cidades médias do oeste e sudoeste do Irã, onde foram registrados confrontos e atos de vandalismo. Pelo menos 30 cidades foram ou têm sido palco de concentrações de diversas magnitudes, segundo um levantamento da AFP baseado na imprensa local.
Os meios de comunicação iranianos não informam necessariamente todos os incidentes, e os estatais minimizam a cobertura dos protestos, enquanto os vídeos que inundam as redes sociais costumam ser impossíveis de verificar.
A agência Fars informou sobre concentrações na sexta-feira em vários bairros de Teerã, que abriga cerca de 10 milhões de habitantes.
Mas neste sábado, feriado, a capital parecia tranquila, com ruas em sua maioria vazias sob chuva e neve, segundo jornalistas da AFP.
Em Darehshahr, no oeste do país, cerca de 300 pessoas bloquearam ruas, lançaram coquetéis molotov e "levantavam kalashnikovs" na sexta-feira, segundo a Fars.
O movimento começou no último domingo, quando comerciantes entraram em greve em Teerã contra as condições econômicas, e se espalhou quando universitários de outras partes do país se uniram.
Nos últimos dias, os protestos assumiram um caráter mais abertamente político. Em Karaj, nos arredores da capital, "algumas pessoas queimaram a bandeira iraniana, gritando 'Morte ao ditador!' e 'Esta não é a última batalha, os Pahlavi estão voltando!'", informou a Fars, acrescentando que outros na multidão se opuseram a essas palavras de ordem.
A dinastia pró-ocidental Pahlavi governou o Irã de 1925 a 1979, quando foi derrubada pela Revolução Islâmica.
Desde o início dos protestos, as autoridades adotaram um tom conciliador em relação às demandas econômicas, advertindo que a desestabilização e o caos não serão tolerados.
R.Flueckiger--VB