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De 'ícone sexual' da França à 'ativista polêmica': imprensa repercute morte de Bardot
A imprensa francesa e internacional prestou homenagem nesta segunda-feira (29) a Brigitte Bardot, falecida aos 91 anos, destacando sua fama como "maior ícone sexual do cinema francês", mas também seu papel de "ativista polêmica".
As fotos da diva da sétima arte estamparam as manchetes de todo o mundo após o anúncio de sua morte no domingo. Muitos também analisaram sua influência nas mudanças sociais na França.
A atitude libertina de Bardot no revolucionário filme de 1956 "E Deus Criou a Mulher" irritou os censores da época.
O jornal católico francês La Croix afirmou que ela teve uma "carreira não muito bem-sucedida", à qual encerrou rapidamente para dedicar-se à causa animal. Já o progressista Libération considerou que Bardot teve uma "carreira meteórica".
"Ela era provavelmente a última daquele grupo de figuras novas e livres nas quais a França gostava de se reconhecer no início dos anos 1960", analisou o jornal, enaltecendo a atriz como o "maior ícone sexual do cinema francês".
- Coquetel francês -
O jornal conservador Le Figaro indicou que "este turbilhão loiro irrompeu nas telas" em uma França que ainda sofria as consequências da Segunda Guerra Mundial. "Ela quebrava os padrões, dançava mambo sobre as mesas de Saint-Tropez", acrescentou, lembrando sua cena emblemática em "E Deus Criou a Mulher".
A imprensa internacional destacou a sensação que a atriz causou na tela e a polêmica gerada por seu ativismo em defesa dos animais e por seu apoio à extrema direita. Bardot foi condenada cinco vezes por comentários que incitavam o racismo.
"Era um coquetel francês de charme brincalhão e sensualidade continental", comentou a rede britânica BBC.
O jornal italiano La Repubblica referiu-se a ela como uma "diva rebelde" que "escolheu a liberdade até o fim". Na Espanha, o El País tratou Bardot como uma "ativista polêmica".
"À sua maneira, sem esconder nada. Nem as rugas com cirurgia ou maquiagem, nem o seu caráter ou inclinações ideológicas, cada vez mais radicais, com eufemismos grosseiros", classificou jornal.
O New York Times afirmou que Bardot "redefiniu a simbologia sexual dos filmes de meados do século XX", graças ao seu "apetite carnal sem complexos" nas telonas. Mas acrescentou que a atriz "na melhor das hipóteses (...), foi considerada excêntrica nos últimos anos, dando lugar a comentários de que (...) tinha se tornado uma 'louca dos gatos'".
Na Alemanha, o Frankfurter Allgemeine Zeitung afirmou que seria melhor "esquecer, embora seja difícil, a Bardot política dos últimos anos" e "recordá-la como A Bardot".
G.Haefliger--VB