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Chile cria sua maior empresa público-privada para explorar lítio
A estatal chilena Codelco, a principal produtora mundial de cobre, e a mineradora privada com capital chinês SQM anunciaram, neste sábado (27), a criação de uma empresa gigantesca para a exploração de lítio no Chile.
O país sul-americano tem as maiores reservas comprovadas de lítio do mundo e é, depois da Austrália, o segundo produtor mundial deste metal leve usado em baterias de carros elétricos e crucial para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
A associação público-privada se chamará "Nova Andino Litio SpA" e "desenvolverá as atividades de exploração, extração, produção e comercialização do lítio no Salar do Atacama até 2060", anunciou a Codelco em um comunicado.
O acordo passou pela aprovação de mais de 20 organismos de regulamentação nacionais e internacionais, entre eles de Brasil, China, Arábia Saudita e União Europeia.
A nova empresa visa a aumentar a produção de lítio em cerca de 300.000 toneladas ao ano no Salar do Atacama, no norte do país. Em 2022, o Chile produziu 243.100 toneladas do chamado ouro branco.
"Esta sociedade conjunta permite projetar o desenvolvimento do Salar do Atacama" em benefício dos "mercados globais", afirmou Ricardo Ramos, gerente-geral da SQM, uma das principais produtoras de lítio do mundo.
Vinte e dois por cento da SQM pertencem à empresa chinesa Tianqi.
- Estratégia Nacional do Lítio -
A associação Nova Andino Litio SpA faz parte da Estratégia Nacional do Lítio, anunciada em 2023 pelo governo do presidente Gabriel Boric, com o objetivo de devolver ao Chile a liderança mundial na produção de lítio, perdida em 2016.
O ouro branco representou 3% das exportações chilenas em 2024.
Na aliança entre a Codelco e a SQM, a empresa estatal terá 50% mais uma das ações, mas a mineradora privada terá nos primeiros anos maior número de votos na direção e decidirá como o negócio será gerido.
A partir de 2031, a Codelco passará a ter maioria na direção e comandará a gestão.
Para aproveitar o aumento da demanda mundial de lítio, o governo de esquerda de Boric descartou a opção de recorrer a uma licitação internacional para a extração do recurso e optou por um acordo direto e reservado com a SQM.
A sociedade, no entanto, gerou polêmica.
A empresa SQM foi privatizada durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e seu controle passou para as mãos do então genro do ditador, Julio Ponce Lerou.
Após a volta da democracia, a SQM foi sancionada pelo financiamento irregular de campanhas políticas.
O acordo selado na sexta-feira impede que o ex-genro de Pinochet faça parte da direção da nova sociedade.
R.Flueckiger--VB