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Após apagão, Cuba inicia restauração gradual do serviço elétrico
A eletricidade começou a retornar gradualmente nesta quarta-feira (3) ao oeste de Cuba, sobretudo a Havana, após uma falha na rede que deixou milhões de usuários no escuro nessa região da ilha, que há dois anos enfrenta apagões recorrentes.
A União Elétrica de Cuba (UNE) informou ao meio-dia que "o serviço será restabelecido de forma gradual, conforme permitir a capacidade de geração", detalhou a empresa no X.
Em Havana, 40% de seus 1,7 milhão de habitantes já haviam recuperado o fornecimento, informou a companhia elétrica da capital, que ao amanhecer anunciou "uma desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional na parte ocidental" do país.
As autoridades indicaram que o corte acorreu às 05h00 locais em uma linha de transmissão entre duas centrais elétricas, o que provocou uma "sobrecarga" em uma parte da rede.
Os trabalhadores da companhia nacional de eletricidade, "que não descansam entre as complexidades diárias que nos impõe o bloqueio e a recuperação do furacão Melissa, já estão resolvendo o problema", afirmou o presidente Miguel Díaz-Canel, em referência ao embargo comercial e financeiro dos Estados Unidos.
O governo afirma que o embargo, vigente desde 1962, impede a modernização da rede elétrica. Mas economistas apontam uma falta crônica de investimento estatal no setor.
As oito centrais elétricas de Cuba, quase todas inauguradas nas décadas de 1980 e 1990, sofrem falhas frequentes ou precisam interromper operações por semanas para manutenção. A escassez de combustível agrava os apagões.
Cuba enfrenta há cinco anos uma severa crise econômica, marcada pela escassez de divisas que deteriorou diversos serviços básicos. Além dos apagões constantes, os cubanos enfrentam forte inflação e falta de bens essenciais.
O furacão Melissa atingiu o leste da ilha em 29 de outubro com rajadas de 195 km/h. Embora não tenha causado mortes, deixou danos materiais significativos.
- "Quando isso vai acabar" -
Cuba, com 9,7 milhões de habitantes, sofreu cinco apagões gerais desde o fim de 2024, alguns deles durando vários dias.
Os moradores enfrentam cortes diários, às vezes superiores a 20 horas seguidas.
"Nós somos aposentados, então imagine como essa situação pode ser difícil para nós. Não se sabe quando haverá água, quando haverá luz, quando haverá algo que você possa comprar", disse Estela Morales, 78 anos, quando ia a um mercado em Havana com o marido.
"É muito difícil e não sei quando isso vai acabar, mesmo se chegarmos a ver", acrescentou a mulher, em um momento em que o país luta também com uma crise sanitária e social.
Até agora, a instalação de 30 parques fotovoltaicos, com a ajuda da China, não reduziu os apagões.
Na segunda-feira, no horário de pico, 59% dos habitantes de Cuba estavam sem eletricidade, segundo as autoridades.
O governo informou na terça-feira que o Vietnã, outro importante aliado asiático, doou outros quatro parques solares ao país.
O país também sofre com o deterioro dos serviços de saúde. As autoridades informaram na segunda-feira que 33 pessoas, entre elas 21 crianças e adolescentes, morreram devido à dengue e a uma epidemia de chikungunya, duas doenças transmitidas por mosquitos.
Esta última está fora de controle devido aos montes de lixo acumulados nas ruas e à água estagnada armazenada em tanques e recipientes nas residências para enfrentar a escassez de água corrente, que este ano afetou até três milhões de cubanos.
L.Stucki--VB