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Amine Kessaci, ativista forjado no drama do tráfico de drogas na França
"Ontem enterrei meu irmão e hoje estou aqui falando". Com apenas 22 anos, Amine Kessaci se tornou o símbolo na França da luta contra o narcotráfico com seu ativismo nos bairros mais pobres de Marselha.
A cada homicídio relacionado ao narcotráfico na segunda maior cidade francesa, seu rosto aparece regularmente nos estúdios de televisão para levantar a voz contra esses crimes.
Seu ativismo nasceu com o assassinato de seu irmão Brahim, cuja memória Amine "leva nos ombros desde criança", explica à AFP sua amiga e também ativista Yacoubi.
A essa tragédia, soma-se agora o assassinato, na última quinta-feira, de seu irmão mais novo, Mehdi, um "crime de intimidação" e um "ponto de inflexão", nas palavras do ministro do Interior, Laurent Nuñez.
No entanto, em um artigo publicado no jornal Le Monde, Kessaci avisa que não será silenciado: "Falarei sobre a violência do tráfico de drogas", "sobre a covardia daqueles que ordenam os crimes", "sobre as deficiências do Estado".
É um "lutador", assegura Yacoubi. Esta mulher, que viveu em locais insalubres antes de se tornar trabalhadora social e ativista, compartilha com ele "a trajetória de quem tem uma missão".
Este jovem ativista se tornou uma figura pública em 2021, no mesmo ano em que obteve seu diploma do ensino médio com menção honrosa.
Durante uma visita do presidente francês, Emmanuel Macron, para apresentar seu plano anti-tráfico, Kessaci lhe disse, "Não serve de nada vir com um plano que vem de Paris".
"Esse plano tem que ser construído conosco" porque "enquanto essa miséria não for combatida, o tráfico de drogas não vai ser erradicado", acrescentou o ativista então com 17 anos diante de Macron.
"É nesse momento que Amine descobriu o poder que tinha, o poder da palavra", resume Katia Yacoubi.
O jovem sempre soube que queria se dedicar à política, admitiu à AFP em junho de 2024, com a sua candidatura às eleições europeias pelo partido OS Ecologistas.
Ele não foi eleito e, um mês depois, candidatou-se por Marselha nas eleições legislativas francesas. A ultradireitista Gisèle Lelouis o derrotou no segundo turno por 835 votos.
- Mãe coragem -
Em outubro, ele retratou sua infância no bairro pobre de Frais-Vallon no livro 'Marseille essuie tes larmes' (Marselha, enxuga suas lágrimas, em tradução livre).
No livro, ele homenageia a coragem de sua mãe, Ouassila, uma mulher argelina que anda de "cabeça erguida" à frente de uma família de seis filhos.
Kessaci lembra de uma noite em que sua mãe enfrentou o gerente de um negócio de drogas, que lhe apontou uma arma quando ela ameaçou chamar a polícia.
Em dezembro de 2020, seu irmão, Brahim, que estava envolvido com o tráfico de drogas, foi assassinado em um homicídio triplo extremamente violento.
Seu corpo foi encontrado carbonizado em um veículo, junto com dois de seus amigos, um dos quais foi esquartejado antes de ser queimado.
Essa chacina e as dificuldades das famílias o levaram a fundar sua associação, Conscience (Consciência), e a entrar na política "naturalmente", observa Yacoubi.
"Ele é um jovem muito calmo, apesar de ter enfrentado situações muito complexas em sua vida, ele atrai as pessoas", explicou em 2024 Christine Juste, vereadora ecologista de Marselha.
Suas ambições também geraram tensões, como com outras associações de famílias de vítimas, para as quais essas causas devem permanecer apolíticas.
Todas elogiam hoje "a grande coragem" e a "dignidade" de Kessaci e seus familiares.
"Amine Kessaci é um homem que se levanta e diz não. É o advogado de todas as famílias", assegurou à BFMTV Frédéric Ploquin, jornalista especializado em crime organizado.
C.Bruderer--VB