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Diante da mudança climática, 'meditem!', diz arquiteta do Acordo de Paris
Conhecida como uma das arquitetas do Acordo de Paris, Christiana Figueres lidera a luta climática há quatro décadas. E diante de tempos sombrios, em que o multilateralismo vacila e o mundo pode fracassar na limitação do aquecimento global, a costarriquenha recomenda: meditem!
Então chefe do Clima da ONU, Figueres teve um papel essencial em 2015 na elaboração do acordo histórico em que a comunidade internacional se comprometeu a tomar medidas frente à mudança climática.
Dez anos depois, participou, na semana passada, do início da COP30 em Belém, cúpula que busca manter vivas as esperanças de alcançar este objetivo.
Na entrevista à AFP, a costarriquenha defendeu a construção de uma "resiliência pessoal" diante de circunstâncias "sem precedentes" vividas pela humanidade.
E explicou como, junto com sua equipe, promove entre os negociadores da COP a meditação, uma prática que, por meio de técnicas como a respiração, coloca o foco no momento presente e é usada, por exemplo, para reduzir o estresse.
A seguir, trechos da entrevista, editada para maior compreensão.
Pergunta: O que a meditação tem a ver com a mudança climática?
Resposta: "Através dos anos, vimos que a ação para enfrentar a mudança climática não tem estado no ritmo, na magnitude que deveria estar, segundo os cientistas.
Muitas pessoas, especialmente os jovens que trabalham com este tema, começaram a se sentir cada vez mais ansiosas.
É muito doloroso para mim que muitas pessoas jovens tenham decidido não ter filhos, por exemplo, porque não querem trazê-los a um planeta neste estado.
Há também muitas pessoas que se dedicam a este tema há anos e sentem que seu impacto tem sido mínimo ou irrelevante, caindo em um poço de desespero, de frustração. Isso não ajuda com sua saúde mental.
A meditação ajuda a aumentar a resiliência pessoal. E estou convencida de que, embora todos trabalhemos pela resiliência planetária, é muito difícil fazê-lo se não tivermos a resiliência pessoal".
P: A meditação tem sido importante em sua trajetória frente à luta climática?
R: "Não sei se teria resistido a estar neste tema durante tantas décadas. Sem uma prática de meditação, de me conectar com a natureza, com outras pessoas. Não teria conseguido enfrentar tanto tempo e tanto esforço".
P: Esta prática tem ressonância entre os negociadores da COP30?
R: "Já trabalhamos este tema em retiros com 800 pessoas no mundo todo. Há um grupo de negociadores e colaboradores que têm estas ferramentas e as levam para as COPs.
Mas não é algo que se possa dizer 'vamos elaborar a programação diária da COP em torno disso'. Isto é uma decisão pessoal de cada um".
P: Facilita as tratativas?
R: "Facilita no sentido de que aqueles que aprendem a ouvir (através da prática) são melhores negociadores".
P: O que você espera da COP30?
R: "Acho que uma das grandes coisas que vão sair desta COP é percebermos que, embora a política continue sendo importante, o que chamo de realidade econômica diante da mudança climática está ganhando cada vez mais força.
É saber que todas estas tecnologias (limpas) são simplesmente superiores e muito competitivas em relação às tecnologias sujas. E esse progresso dessas tecnologias é visto em todos os setores, em todos os países. É um progresso que não vai parar".
P.Staeheli--VB