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Paralisação orçamentária nos EUA: milhares de voos cancelados e um sinal de esperança
As interrupções no tráfego aéreo nos Estados Unidos pioraram neste domingo (9), com mais de 2 mil voos cancelados como consequência direta do fechamento do governo por falta de acordo político sobre o orçamento — situação que pode ser resolvida em breve após 40 dias de impasse.
Pela primeira vez em semanas, a atividade no Senado parece indicar um avanço nas negociações entre os republicanos do presidente Donald Trump e os democratas da oposição para encontrar uma saída para aquele que já é o fechamento governamental mais longo da história do país.
Essa perspectiva de resolução surge num momento em que o caos nos aeroportos se tornou o foco principal da batalha política pelo orçamento, com cada partido tentando culpar o outro pelos transtornos que afetam os passageiros em todo o país.
Até a noite deste domingo, o número de cancelamentos de voos havia ultrapassado 2.300, com mais de 8 mil atrasos, segundo dados da plataforma de rastreamento FlightAware.
Desde sexta-feira, a Administração Federal de Aviação (FAA, sigla em inglês), órgão regulador do transporte aéreo dos EUA, vem solicitando às companhias aéreas que reduzam gradualmente seus voos domésticos para aliviar a pressão sobre os controladores de tráfego aéreo, que estão trabalhando sem receber.
O secretário de Transportes, Sean Duffy, advertiu na Fox News que o tráfego aéreo será drasticamente reduzido se não houver acordo sobre o orçamento, justamente quando se aproxima o feriado de Ação de Graças, no fim de novembro. Esse fim de semana também marca o início da temporada de compras de Natal, da qual muitos varejistas dependem.
"Veremos muito poucos controladores de tráfego aéreo vindo trabalhar, o que significa que haverá poucos voos decolando e aterrissando", disse ele.
– "Manobra" –
Espera-se que a redução gradual do tráfego aéreo atinja 10% dos voos cancelados até a próxima sexta-feira, em comparação com os 4% atuais, detalhou Duffy.
Haverá "muitos americanos irritados", apontou o funcionário do governo Trump.
"Graças aos democratas", afirmou a Casa Branca em uma de suas contas oficiais no X, responsabilizando a oposição pelo impasse.
O governo dos EUA encontra-se em um estado de paralisia orçamentária desde o início de outubro. Centenas de milhares de funcionários federais considerados essenciais, incluindo os controladores de tráfego aéreo, estão trabalhando sem remuneração.
Alguns deles "serão obrigados a procurar um segundo emprego para conseguir chegar ao fim do mês", lamentou o secretário de Transporte à CNN.
Mas, para o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, as ordens de cancelamento de voos são uma "manobra" política que "não tem nada a ver com segurança".
– Avanços incomuns –
A pressão sobre os legisladores para que cheguem a um acordo e encontrem uma saída para a crise vem aumentando e parecia estar dando alguns frutos neste domingo.
Um acordo está "cada vez mais próximo", declarou à imprensa o líder da maioria no Senado, John Thune.
"Depois de 40 dias de impasse, o Senado está mostrando sinais reais de progresso", afirmou também o deputado democrata Henry Cuellar no X, referindo-se a um "grupo de senadores de ambos os partidos" que concordaram em destinar fundos ao governo federal "até janeiro".
"Este é o passo mais significativo em direção a um compromisso em semanas", acrescentou.
O Senado poderia votar sobre o tema já na noite deste domingo.
Mas a aprovação, que ainda não está garantida, não assegura o fim da paralisação, já que o projeto de lei teria que seguir para a Câmara dos Representantes, onde a maioria republicana é muito estreita.
O bloqueio orçamentário também está afetando o programa federal de assistência alimentar, que apoia mensalmente 42 milhões de americanos (um em cada oito).
A falta de pagamento devido ao fechamento do governo é alvo de um processo judicial, mas, enquanto isso, milhares de beneficiários encontram-se mergulhados na incerteza.
N.Schaad--VB