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Cúpula Celac-UE acontece na Colômbia em meio a tensões com EUA
A cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE) está sendo realizada neste domingo (9) na Colômbia, com notáveis ausências e em um contexto de tensões com os Estados Unidos na região.
Dos 33 membros da Celac e 27 da UE, apenas nove chefes de Estado ou de governo participam do encontro, que ocorre até segunda-feira em Santa Marta (norte). Entre eles estão o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Quero que a Celac seja um farol de luz em meio à barbárie" e que demonstre que "nos encontrarmos" e "dialogar" ainda é possível, disse o anfitrião Gustavo Petro, presidente da Colômbia.
A quarta reunião entre os dois blocos — que sucede a de Bruxelas em 2023 — acontece sob a sombra dos constantes ataques do governo de Donald Trump contra supostas lanchas carregadas de drogas no Caribe e no Pacífico, operações que deixaram dezenas de mortos.
"Só se pode recorrer à força por dois motivos: em defesa própria ou por resolução do Conselho de Segurança da ONU", declarou sobre as operações marítimas americanas a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, na abertura do encontro.
Kallas chegou à Colômbia após o cancelamento de última hora da visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Lula, aliado de Petro, reiterou sua preocupação com a presença militar dos Estados Unidos na região.
"A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais", afirmou.
Trump acusa o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de pertencer a um cartel de drogas e já chamou Petro de "líder do narcotráfico".
Maduro, ausente em Santa Marta, pediu a proclamação da "defesa incondicional de nossa América como Zona de Paz". "Rejeitemos de forma categórica qualquer militarização", afirmou em uma carta de sete páginas divulgada em Caracas.
Petro, que denunciou as "execuções extrajudiciais" dos Estados Unidos em alto-mar, havia mencionado dias antes pressões de Washington para que alguns países não participassem do evento, em razão de suas críticas aos ataques americanos.
– "Parceiro comercial estável" –
Os poucos chefes de Estado e de governo presentes tiraram uma foto oficial segurando uma mochila arhuaca, tradicional dos povos indígenas de Santa Marta, antes de uma reunião a portas fechadas.
Para a politóloga colombiana Sandra Borda, a "pouca coreografia" e a "muita improvisação" na organização da cúpula também desestimularam a participação.
Além dos líderes do Brasil, Espanha e da UE, participam os de Portugal, Países Baixos, Guiana, Dominica, São Cristóvão e Névis e Granada.
O objetivo oficial da cúpula é abordar temas relacionados ao comércio, à transição energética e à cooperação no combate ao crime organizado.
"Em todo o mundo vemos uma tendência ao fechamento, ao isolacionismo. Mas não podemos nos fechar. Pelo contrário. (...) A posição europeia é clara: continuaremos sendo um parceiro comercial estável, previsível e com princípios para a Celac", afirmou Kallas.
A declaração final, de caráter não vinculante, será lida ainda neste domingo.
Uma fonte da União Europeia antecipou à AFP que o texto incluirá uma postura mais dura em relação à guerra na Ucrânia — que o bloco Celac não condenou oficialmente —, uma menção ao conflito em Gaza e uma referência, sem citar diretamente os Estados Unidos, aos ataques no Caribe.
Na segunda-feira, ocorrerão reuniões secundárias, sem a presença da maioria dos líderes.
T.Suter--VB