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Desastres naturais causaram perdas recorde nos EUA no 1º semestre de 2025 (estimativa)
Os eventos climáticos extremos nos Estados Unidos causaram perdas recorde no primeiro semestre de 2025, revelou, nesta quarta-feira (22), uma emblemática base de dados sobre o tema, descartada pelo governo Donald Trump e recuperada pelo cientista encarregado.
No total, 14 desastres climáticos ocorridos entre janeiro e junho causaram danos ajustados pela inflação no valor de 101,4 bilhões de dólares (545,9 bilhões de reais, na cotação atual), embora seja possível que 2025 como um todo não alcance um recorde devido a uma temporada de furacões no Atlântico mais amena do que o habitual.
As descobertas mostram que os incêndios florestais em Los Angeles foram provavelmente os mais caros da história, com perdas seguradas que alcançaram 60 bilhões de dólares (323 bilhões de reais). Aos incêndios se seguiu uma avalanche de tempestades no centro e no sul dos Estados Unidos, incluindo vários tornados destrutivos.
Este balanço recorde poderia nunca ter sido publicado, já que o acompanhamento dos desastres climáticos mais caros foi abruptamente interrompido em maio pela administração Trump.
A base de dados mantida desde 1980 da Agência Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) sofreu importantes cortes orçamentários após o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro.
Esta decisão, vista como ideológica pela ofensiva de ceticismo climático liderada por Trump, foi condenada pelos democratas e pelas organizações ambientais, mas também por especialistas encarregados de avaliar os riscos nos setores dos seguros.
"Este conjunto de dados era simplesmente importante demais para deixar de ser atualizado, e o pedido de reativação veio de todos os setores da sociedade", declarou à AFP Adam Smith, que dirigiu este banco de dados durante 15 anos.
O climatologista, que renunciou em maio à NOAA devido a um ambiente científico "cada vez mais difícil", desde então tem se esforçado para dar continuidade a este trabalho dentro da ONG Climate Central com diversos especialistas em meteorologia, economia e até mesmo gestão de riscos.
Smith pretende ampliar no futuro a base de dados com os desastres naturais que causem danos de menos de 100 milhões de dólares (538,4 milhões de reais, na cotação atual), atualmente não contabilizados, a fim de refletir melhor "os impactos consideráveis na vida e nos meios de subsistência das populações" dos eventos de menor magnitude.
H.Gerber--VB