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Governo tentará blindar direito ao aborto na Constituição após iniciativa polêmica em Madri
O governo espanhol, de esquerda, propôs nesta sexta-feira (3) incluir na Constituição o direito ao aborto, legal desde 2010, após a direita em Madri ter aprovado uma polêmica iniciativa para informar as mulheres sobre uma suposta "síndrome pós-aborto".
A controvérsia explodiu na terça-feira, quando a Prefeitura de Madri, governada pelo Partido Popular (PP, direita), aprovou uma proposta impulsionada pela extrema direita para obrigar os serviços médicos a advertirem as mulheres que queiram interromper a gravidez sobre uma "síndrome pós-aborto", que causaria "consumo de álcool e drogas (...), pensamentos suicidas" e "aumento de cânceres".
"A síndrome pós-aborto é algo conscientemente ocultado, especialmente na Espanha", afirma o texto, que também indica que "o aborto é um grande negócio para a ideologia que o sustenta e promove: o feminismo".
Em um primeiro momento, o PP defendeu a proposta, mas horas depois tomou distância, e o próprio prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, militante desse partido, admitiu na quinta-feira que a síndrome pós-aborto não é uma "categoria científica reconhecida" e garantiu que informar sobre ela não será "obrigatório".
Esta situação foi aproveitada nesta sexta-feira pelo presidente do governo, o socialista Pedro Sánchez, para acusar no X o PP de ter "decidido fundir-se com a extrema direita" e anunciar que levará ao Parlamento uma proposta para incluir o direito ao aborto na Constituição.
De qualquer forma, uma reforma constitucional parece muito difícil, já que necessita de uma maioria de três quintos do Parlamento, o que torna imprescindível que seja apoiada pela direita.
E de fato, o Partido Popular (PP) não demorou em rejeitar a iniciativa de Sánchez, através de seu secretário-geral, Miguel Tellado, que, se referindo à situação de minoria do governo no Parlamento, questionou: "Não tem votos para validar um simples decreto e pretende modificar a Constituição?".
U.Maertens--VB