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Microsoft pretende melhorar desempenho da IA nas língua europeias
A Microsoft investirá milhões de dólares na Europa para produzir dados digitais destinados a modelos de Inteligência Artificial (IA) em mais de uma dezena de idiomas, anunciou nesta segunda-feira (21) à AFP o presidente da empresa americana.
Os principais modelos de IA são treinados majoritariamente em inglês, mas suas bases de dados devem oferecer mais fontes em outros idiomas, pois, em caso contrário, sua sobrevivência "está em jogo", afirmou Brad Smith em uma entrevista à AFP.
"Considero justo dizer que um modelo é menos capaz quando está em uma língua com dados insuficientes", afirmou o executivo, o que pode levar os usuários a preferirem o inglês.
O grupo americano de tecnologia pretende instalar, a partir de setembro, filiais de seus centros de pesquisa na cidade francesa de Estrasburgo, na fronteira com a Alemanha, para "ampliar a disponibilidade de dados" em pelo menos 10 dos 24 idiomas oficiais da União Europeia (UE), como estoniano e grego.
A empresa de Redmond, no estado de Washington, prevê ajudar a digitalizar livros em idiomas diferentes do inglês e gravar centenas de horas de áudio em vários idiomas.
"A Microsoft não será proprietária de nenhum desses dados, que serão acessíveis ao público" e estarão disponíveis em código aberto, garantiu Smith.
A questão da soberania digital europeia agita, há meses, o mundo da política e da tecnologia no continente. Neste contexto, a Microsoft busca se posicionar como a empresa mais compatível com o mercado europeu.
Em junho, por exemplo, anunciou que intensificaria a cooperação com os governos da UE em termos de cibersegurança e introduziria novas medidas para controlar os dados armazenados em seus centros na Europa.
"Estamos plenamente comprometidos com a defesa da soberania e dos dados europeus", insistiu o executivo.
A maioria dos gigantes da IA são americanos e chineses, mas a Europa abriga várias estrelas do setor, como a francesa Mistral e a startup franco-americana Hugging Face, uma plataforma de IA de acesso livre.
Algumas iniciativas europeias, como a TildeLM, também tentam desenvolver modelos de IA para os idiomas da região.
A Microsoft também anunciou nesta segunda-feira que, nos próximos meses, criará uma réplica digital da catedral de Notre Dame de Paris, em colaboração com o Instituto do Patrimônio e a empresa francesa Iconem, que será doada ao governo francês.
M.Vogt--VB