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Mbappé acusa PSG de assédio moral por afastamento do elenco
Um processo judicial foi aberto por assédio moral após denúncia apresentada pelo atacante francês Kylian Mbappé, hoje no Real Madrid, contra o Paris Saint-Germain, seu ex-clube.
O foco da ação é prática do 'loft', que consiste em isolar jogadores que o clube deseja negociar, como aconteceu com Mbappé eu seu último ano no PSG. A Promotoria de Paris informou nesta quinta-feira (26) à AFP que abriu um processo pelo caso.
Dois juízes de instrução foram designados, explicou uma fonte próxima ao caso, para investigar as acusações do jogador.
Mbappé, capitão da seleção francesa, apresentou uma denúncia em Paris no dia 16 de maio por assédio moral e tentativa de extorsão, reclamando especificamente de seu afastamento em 2023.
- 'Maximizar' as transferências -
O caso foi atribuído à Brigada de Repressão a Crimes Contra Pessoas (BRDP), após a denúncia apresentada em maio também pela jogadora Kheira Hamraoui contra o PSG.
Neste caso, Hamraoui, que sofreu uma grave agressão na rua e agora é jogadora do Al-Shabab da Arábia Saudita, afirma que o clube parisiense a isolou depois de sua recuperação para forçar sua saída, segundo uma fonte próxima.
O PSG não é o único clube apontado nestas acusações. Em janeiro de 2024, o sindicato de jogadores profissionais UNFP apresentou uma denúncia baseada em uma lista de cerca de 50 atletas que passaram pelo mesmo problema (mas que não estiveram associados diretamente na preparação da denúncia).
O UNFP acusou de assédio moral e extorsão diversos clubes que afastaram deliberadamente certos jogadores com o objetivo, segundo o sindicato, de "maximizar o valor das transferências".
Uma investigação foi aberta então, comandada pela Promotoria. No início de junho, os advogados do UNFO, León Del Forno e Julia Minkowski, apresentaram uma nova denúncia para conseguir que um juiz de instrução assumisse as investigações.
- Afastados dos gramados -
Do que os jogadores reclamam sobre seus clubes? Especificamente, durante a janela de transferências de meio de ano, regulamentada pelo acordo coletivo de trabalho para jogadores de futebol profissionais, os clubes podem colocar os jogadores com os quais não querem mais contar em um "loft", uma espécie de isolamento: sem treinar com o restante do elenco e nem jogar.
Segundo o artigo 507 da Carta do Futebol Francês, que funciona como uma convenção coletiva, os clubes têm certas obrigações com estes jogadores: permitir a eles acesso a vestiários, instalações de treino, cuidados médicos "eventualmente diferentes, mas de qualidade equivalente".
Também devem proporcionar o equipamento "previsto para todos os jogadores profissionais" e propor horários de treinamento "compatíveis com as outras condições de preparação e treino do grupo principal de profissionais, e que respeitem a saúde do jogadores".
Este 'loft' deve acabar em 1º de setembro, data do fechamento da janela de transferências.
No entanto, a prática contém diversos abusos, segundo seus críticos. Este isolamento, considerado abusivo, leva jogadores a prolongarem seus contratos com o clube ou, ao contrário, aceitar uma transferência (com vantagem financeira para seu clube de origem) ao até mesmo a uma rescisão.
Consultado nesta quinta-feira, o advogado penal de Kylian Mbappé, Pierre-Olivier Sur, não quis comentar sobre a abertura do processo. O entorno do jogador tampouco se pronunciou, nem o PSG.
Além do processo penal, Mbappé também tem um litígio financeiro com o clube parisiense. Seus advogados concederam no início de abril uma entrevista coletiva, a primeira desde o início do imbróglio, para "partir para a ofensiva" depois de uma longa batalha entre diante das entidades esportivas, como a Federação Francesa de Futebol e a Liga de Futebol Profissional.
Em resumo, Mbappé, que se transferiu sem custos ao Real Madrid há um ano, pede 55 milhões de euros (R$ 354 milhões na cotação atual) em bônus e salários que não foram pagos. Um "relato fantasioso", segundo o PSG.
I.Stoeckli--VB