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Trump mira em China e Europa em sua guerra tarifária mundial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nesta quarta-feira (2) uma ofensiva comercial generalizada, com tarifas maciças contra a China e União Europeia e uma taxa mínima universal de 10%.
Essa é, segundo ele, uma "declaração de independência econômica", para impulsionar uma "era de ouro" nos Estados Unidos.
"Durante décadas, nosso país foi saqueado, violado e devastado por nações próximas e distantes, aliadas e inimigas, por igual", disse Trump no jardim da Casa Branca, antes de mostrar a lista dos parceiros comerciais que seriam alvo da sanção.
Nas operações eletrônicas após o fechamento de Wall Street, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 despencaram. O ouro bateu recorde.
A Bolsa de Tóquio abriu nesta quinta-feira (3) em queda de quase 4%, e as de Seul e Sydney, de 2%.
A ofensiva protecionista consiste em uma tarifa aduaneira mínima de 10% para todas as importações, e sobretaxas seletivas para certos países considerados particularmente hostis em termos comerciais.
A conta sai cara para a China - cujos produtos serão taxados em 34%, que se somarão aos 20% impostos àquele país em fevereiro - e para a União Europeia, que terá um adicional de 20%. As taxas serão de 24% para o Japão, 26% para a Índia, 31% para a Suíça e 46% para o Vietnã.
Diversas economias latino-americanas estão na lista da Casa Branca: Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras e El Salvador. No entanto, a tarifa aplicada a esses países será a mínima, de 10%. A exceção é a Nicarágua, que será taxada em 18%.
A Casa Branca esclareceu que alguns bens, como cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores, madeira, ouro, energia e "certos minerais", não estão sujeitos às tarifas anunciadas nesta quarta-feira.
A tarifa universal de 10% entrará em vigor às 04h01 GMT do próximo dia 5, e as mais altas em 9 de abril.
- 'Declaração de guerra' -
As sobretaxas foram calculadas para refletir, também, as chamadas barreiras não tarifárias que os países impõem à entrada de produtos americanos, como as regulações sanitárias e os padrões ambientais.
Analistas ficaram surpresos com o formato de cálculo das tarifas e a apresentação de uma lista que inclui ilhas remotas do Ártico. Trump se considerou benevolente, em comparação com as tarifas impostas no exterior aos produtos americanos.
Para Maurice Obstfeld, economista do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE), essas tarifas representam "uma declaração de guerra contra a economia mundial" e serão "absolutamente devastadoras" para alguns países.
O presidente americano também pôs fim à isenção de tarifas alfandegárias para pequenos pacotes enviados da China, o que afetará os gigantes chineses do comércio eletrônico Shein e Temu.
- E os vizinhos? -
Nem México nem Canadá, os parceiros dos Estados Unidos no tratado de livre comércio da América do Norte (T-MEC), estão na lista.
"Neste momento, Canadá e México ainda estão sujeitos à emergência nacional relacionada com o fentanil e a imigração, e esse regime tarifário vai se manter enquanto essas condições persistirem. Eles estarão sujeitos a esse regime, e não ao novo", declarou um funcionário da Casa Branca. Isso significa tarifas de 25% (10% para os hidrocarbonetos canadenses), com exceção dos produtos cobertos pelo T-MEC.
Trump é fascinado pelo protecionismo do fim do século XIX e começo do século XX nos Estados Unidos, e vê as tarifas como uma espécie de varinha mágica capaz de reindustrializar o país, reequilibrar a balança comercial e eliminar o déficit fiscal.
Desde o seu retorno à Casa Branca, em janeiro, o republicano aumentou tarifas não apenas para seus vizinhos, mas também para a China, além de impor taxas sobre o aço e o alumínio, independentemente de sua origem.
Às 04h01 GMT desta quinta-feira, Washington também vai impor uma tarifa adicional de 25% sobre automóveis e componentes fabricados no exterior. Haverá uma exceção: veículos montados no México ou no Canadá estarão sujeitos à tarifa de 25% apenas sobre as peças que não sejam de origem norte-americana.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, desaconselhou uma escalada da tensão comercial. "Sentem-se, absorvam isso, vamos ver como será. Porque, se houver retaliação, haverá uma escalada. Se não, este é o nível máximo."
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a ofensiva protecionista "custará ao lar americano médio mais de US$ 6.000 por ano" devido ao aumento dos preços dos produtos importados. Também afetará as gigantes da tecnologia e marcas que se abastecem na Ásia.
Trump tem usado as tarifas, uma de suas palavras favoritas, como uma arma de política externa desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021. Ele acredita que elas são a solução para impulsionar o "renascimento" da indústria manufatureira nacional.
"Querem evitar as tarifas? "Então instalem-se nos Estados Unidos", respondeu Trump aos que criticam o impacto dessas medidas nas empresas.
H.Kuenzler--VB