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Rubio viaja à Europa enquanto aumentam as tensões transatlânticas
O secretário de Estado americano Marco Rubio se dirigiu nesta quarta-feira (2) para uma reunião da Otan na Europa, em um contexto de tensão crescente entre o presidente Donald Trump e o bloco europeu.
Rubio embarcou em um avião na base aérea de Andrews, nas imediações de Washington, pouco depois de Trump fazer seu esperado anúncio de tarifas globais, parte de um esforço para reestruturar a ordem econômica mundial e jogar por terra décadas de esforços por um comércio mais livre.
Os aliados europeus advertiram que vão responder da mesma maneira. O Reino Unido, que deixou a União Europeia, declarou nesta quarta que esperaria para tomar medidas enquanto busca um acordo comercial com Washington.
Como chefe da diplomacia americana, Rubio tem utilizado uma linguagem mais delicada que Trump. Contudo, antes de sua viagem, disse que o republicano tinha razão ao afirmar que "a situação do comércio mundial é completamente injusta para os Estados Unidos".
Rubio participará de dois dias de conversas entre os ministros das Relações Exteriores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas, na Bélgica, como preparação para a cúpula de líderes de junho em Haia, nos Países Baixos.
A nova administração americana tem-se mostrado em desacordo ideológico com grande parte da Europa. O vice-presidente J.D. Vance fez a estreia europeia da equipe de Trump em fevereiro, ao pedir à Alemanha que deixasse de rechaçar a extrema direita.
Além do Canadá, de quem Trump zombou ao considerá-lo o 51º estado dos Estados Unidos, talvez nenhum outro aliado tenha sido tão criticado como a Dinamarca. Trump cobiça o território do país escandinavo no Ártico, a Groenlândia, rica em recursos e posicionada em um local estratégico.
Vance voou na semana passada para uma base americana na ilha coberta de gelo e disse: "A Dinamarca não tem feito um bom trabalho para garantir a segurança da Groenlândia."
O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, que deve se reunir com Rubio em Bruxelas, disse que a Dinamarca não apreciava "o tom" de Vance.
"Não é assim que se fala com seus aliados próximos, e sigo considerando que Dinamarca e Estados Unidos são aliados próximos", escreveu Rasmussen no X.
As conversas chegam um mês depois do encontro cheio de tensão na Casa Branca entre Trump e o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, no qual este último foi chamado de "ingrato" pelos bilhões de dólares em armas americanas enviados para sua defesa da invasão russa.
O bate-boca entre os dois presidentes levou os aliados europeus a reconsiderarem como nunca antes os compromissos dos Estados Unidos com o continente.
P.Staeheli--VB