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Salão do relógio de Genebra abre suas portas preocupado com China e EUA
O salão de relógios de luxo de Genebra abre suas portas nesta terça-feira (1º) em um clima de incertezas devido à queda da demanda na China e ao nervosismo do mercado provocado pelo presidente Donald Trump, o que pode esfriar o consumo nos Estados Unidos.
De 1º a 7 de abril, 60 marcas se encontram em Genebra para a feira Watches & Wonders, que atrai todos os anos as marcas mais famosas da joalheria e relojoaria.
Bulgari, uma das grandes marcas do gigante francês do luxo LVMH, participará pela primeira vez com suas novidades junto a outras casas da relojoaria suíça como Rolex e Patek Philippe, e as grandes casas de luxo como Cartier, Van Cleef & Arpels, Chanel e Hermès.
Esse salão, que no ano passado atraiu 49.000 visitantes, estará inicialmente reservado aos varejistas e profissionais do luxo durante quatro dias, antes de abrir suas portas ao público a partir de sábado.
O evento é muito seguido por analistas financeiros e especialistas de luxo que chegam para avaliar o humor do setor.
O objetivo é detectar sinais de alerta sobre possíveis dificuldades e não deixar se cegar por exibições reluzentes de diamantes e de relógios de grande complexidade, alguns dos quais são vendidos por mais de um milhão de dólares (5,74 milhões de reais).
"Não acredito que a crise seja muito visível no salão", comentou à AFP Jean-Philippe Berstchy, analista da Vontobel.
Isso deve ao fato de a queda da demanda em 2024 não ter sido uniforme e "muitas das marcas presentes no salão resistiram muito melhor que outras", em seu julgamento.
- Montanhas-russas -
Mas as previsões para as exportações de relógios são mais difíceis de calcular que o habitual", admitiu.
"É um pouco uma montanha-russa", explicou o analista, que prevê uma diminuição das exportações de relógios em 2025.
Jon Cox, analista da Kepler Cheuvreux, espera um crescimento de 3% este ano, antecipando um aumento de 5% no segmento de alto luxo que ajudará a compensar a queda nos de preços mais baixos", comentou à AFP.
Depois de bater recorde atrás de recorde durante três anos consecutivos, as exportações de relógios suíços contraíram 2,8% em 2024 a 26 bilhões de francos suíços (169 bilhões de reais), afetadas por uma queda de mais de 25% na China, segundo números da federação relojoeira.
Mas os relógios cujos preços de exportação superam os 3.000 francos suíços (19 mil reais) aumentaram 1%, enquanto os de preços inferiores caíram 15,6%.
A exportação de relógios suíços também aumentou no Japão (7,8%) e Estados Unidos (5%), o que ajudou a compensar a queda na China.
- Desaceleração -
Mas se as exportações de relógios de janeiro - aumento de 4,1% - apontaram um aumento, as de fevereiro aplacaram as expectativas.
Caíram 8,2% em "um clima incerto", alertou a federação relojoeira, com quedas em todos os grandes mercados, incluindo os Estados Unidos, motor de crescimento da indústria de relógios nos últimos quatro anos.
Em uma nota recente, Patrik Schwendimann, analista do Banco Cantonal de Zurique, disse que os movimentos de mercado nos Estados Unidos "podem frear o consumo de bens de luxo após o auge dos últimos anos".
Os principais índices da bolsa americana caíram precipitadamente em várias sessões de fevereiro e março ante as reiteradas idas e vindas de Trump sobre as tarifas, causando preocupação entre os consumidores de seu país, que viram o valor de suas economias desaparecer.
T.Egger--VB