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Trump dá fôlego à Chevron e sancionará países que comprarem petróleo da Venezuela
Promotor do mote "os Estados Unidos em primeiro lugar", o presidente Donald Trump prorrogou, nesta segunda-feira (24), o prazo para que a petrolífera Chevron liquide suas operações na Venezuela e, paralelamente, anunciou que os países que comprarem petróleo ou gás venezuelano pagarão uma tarifa de 25%.
Em 26 de fevereiro, o magnata republicano anunciou o fim da licença que permitia à Chevron operar na Venezuela e, dias depois, o Departamento do Tesouro deu à companhia um prazo até 3 de abril para liquidar suas operações de forma ordenada no país caribenho.
Segundo a imprensa americana, os diretores da empresa tentaram convencer o governo republicano a lhes conceder mais tempo.
Seus esforços deram resultado: o prazo foi prorrogado até 27 de maio, conforme a licença 41B, emitida nesta segunda-feira pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês).
Adepto da adoção de tarifas, uma de suas palavras favoritas, Trump decidiu, nesta segunda-feira, sancionar os países que fazem negócios com o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
"A Venezuela tem sido muito hostil aos Estados Unidos e às liberdades que defendemos", enfatizou Trump em uma mensagem na plataforma Truth Social.
"Portanto, qualquer país que comprar petróleo ou gás da Venezuela será obrigado a pagar uma tarifa de 25% aos Estados Unidos sobre qualquer comércio que realizar com o nosso país", advertiu.
Caracas repudiou o que chamou de "nova agressão" do governo Trump, ao considerar que viola as normas do comércio internacional.
"Esta medida arbitrária, ilegal e desesperada, longe de afetar nossa determinação, confirma o fracasso categórico de todas as sanções impostas contra o nosso país", manifestou-se a chancelaria venezuelana em um comunicado.
A Venezuela é o terceiro maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, atrás do Canadá e do México, com 296 mil barris diários (b/d) em dezembro de 2024, segundo a Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês).
Em fevereiro, a Venezuela exportou 550 mil barris diários à China, 240 mil aos Estados Unidos e 70 mil à Índia e Espanha, segundo várias fontes consultadas pela AFP.
- "Diversas razões" -
Entre as "diversas razões" alegadas para aplicar o que denomina "tarifa secundária" de 25%, figuram questões migratórias.
"A Venezuela enviou para os Estados Unidos, de forma deliberada e enganosa, dezenas de milhares de criminosos de alta periculosidade e de outros tipos, muitos dos quais são assassinos e pessoas de natureza extremamente violenta", acusou Trump, sem apresentar provas.
Ele cita como exemplo a gangue Tren de Aragua, que foi designada como organização terrorista global pelo governo republicano.
"Estamos no processo de devolvê-los", acrescenta Trump, cujo governo impôs pressão sobre Maduro para que aceite o retorno de cidadãos venezuelanos em situação irregular nos Estados Unidos, caso queira evitar "novas sanções severas", nas palavras do chefe da diplomacia americana, Marco Rubio.
"Isso não é um tema de debate nem de negociação. Também não merece nenhuma recompensa", advertiu Rubio na semana passada.
A "tarifa secundária" entrará em vigor em 2 de abril, anunciou Trump, ampliando assim a lista de tarifas alfandegárias previstas para essa data.
Especialmente os chamados impostos "recíprocos", que consistem em igualar dólar por dólar as taxas impostas aos produtos americanos no exterior.
Será o "Dia da Libertação" dos Estados Unidos, repete Trump diariamente.
A tensão entre Caracas e Washington se intensificou nos últimos dias, depois que os Estados Unidos invocaram uma lei de guerra de 1798 contra o Tren de Aragua e enviaram, em aviões, 238 venezuelanos para uma mega prisão em El Salvador.
O governo da Venezuela classificou a ação como sequestro.
Trump, assim como Biden, apoia o opositor venezuelano exilado Edmundo González Urrutia, que reivindica a vitória nas eleições de julho e compareceu à posse de Trump em 20 de janeiro.
R.Flueckiger--VB