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Jenni Hermoso foi pressionada pela RFEF para que minimizasse beijo forçado, afirma seu irmão
Jenni Hermoso foi pressionada pela Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para que minimizasse o beijo forçado que recebeu de Luis Rubiales e assim não sofrer "consequências tanto profissionais como pessoais", afirmou o irmão nesta quarta-feira (5), durante o julgamento do ex-presidente da entidade.
Rafael Hermoso, irmão mais velho da atacante da seleção feminina da Espanha, estava no voo de volta da equipe e da delegação da RFEF após o título mundial na Austrália, em 20 de agosto de 2023.
Durante a viagem, o técnico da equipe, Jorge Vilda, julgado junto com Rubiales e outros dirigentes da Federação desde segunda-feira, pediu a Rafael Hermosso que conversasse com sua irmã para "convencê-la" a "fazer um vídeo" ao lado do ex-presidente, declarou o irmão em seu depoimento no tribunal.
O vídeo pretendia explicar "que a ação do beijo havia sido um ato consentido, de carinho, de amizade, que [ela] se sentia bem e que não havia acontecido absolutamente nada, tirando toda a importância", disse Rafael Hermoso.
Vilda alegou então "que minha irmã já tinha uma certa idade, que já tinha uma carreira e que se colaborasse as coisas ficariam bem (...) mas que se não, não sabia o que poderia acontecer" e que poderia haver "consequências tanto profissionais como pessoais", continuou.
Durante o longo voo, Jenni Hermoso sofreu "pressões", confirmou a goleira Misa Rodríguez, que também foi testemunha nesta quarta-feira.
Depois de conversar com Rubiales no avião, a camisa 10 "começou a chorar", lembrou Rodríguez.
"Em nenhum momento ela nos disse que o beijo tinha sido consentido", ressaltou a goleira.
O presidente do comitê técnico do futebol feminino, Rafael del Amo, declarou igualmente ter sido testemunha da pressão exercida por alguns membros da RFEF para que Hermoso fizesse o vídeo.
"Eles estavam tentando chegar a um acordo ou pressionar e falar com Jenni, com seu entorno (...) e eu não estava de acordo com isso", declarou Del Amo.
Rubiales, presidente da RFEF de 2018 e 2023, está sendo julgado por agressão sexual pelo beijo não consentido e por coação por pressionar Hermoso, crimes pelos quais a Promotoria pede dois anos e meio de prisão.
Vilda e outros ex-dirigentes da federação são julgados por coação. A Promotoria pede para eles um ano e meio de prisão.
M.Vogt--VB