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Brasil e EUA lançam iniciativa em defesa do trabalho digno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu contraparte americano, Joe Biden, apresentaram, nesta quarta-feira (20), uma iniciativa global de defesa do trabalho digno, em um momento em que os Estados Unidos enfrentam uma greve importante no setor automotivo e de aproximação entre Brasil e China, grande rival de Washington.
Para Lula, este é "um momento histórico" porque ajuda a melhorar a vida dos trabalhadores em um mundo digitalizado, em que a inteligência artificial fala muito mais alto do que qualquer outra coisa.
O presidente lembrou que o mundo tem dois bilhões de trabalhadores na informalidade, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com 240 milhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1,9 (R$ 9,2) por dia, apesar de terem emprego.
"Todas as pessoas que acreditam que sindicato fraco vai fazer com que o empresário ganhe mais, que o país fique melhor, está enganado. Não há democracia sem sindicato forte", acrescentou o ex-sindicalista no lançamento da Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Com a iniciativa, Brasil e Estados Unidos se propõem a proteger os direitos dos trabalhadores, promover o trabalho digno e os investimentos públicos e privados, assim como combater a discriminação nos locais de trabalho.
Eles também se comprometem a levar em conta os trabalhadores na transição energética para as energias limpas e a usar a tecnologia e a transformação digital a favor do trabalho digno.
Lula e Biden querem levar esta proposta a diferentes fóruns para incluir outros países.
No próximo ano, o Brasil vai presidir o G20 e em 2025, o Brics, das economias emergentes. Nesse mesmo ano, Belém sediará a conferência climática da ONU, COP30.
A defesa dos direitos dos trabalhadores é uma das principais bandeiras de Biden com vistas às eleições presidenciais de 2024, quando tentará a reeleição.
O presidente americano defende os trabalhadores do setor automotivo americano, que estão em greve, por considerar que os lucros devem ser distribuídos de forma "justa".
Biden quer estreitar os laços com Lula, com quem teve alguns desencontros, sobretudo a respeito da guerra na Ucrânia, consciente de que o Brasil se aproxima cada vez mais da China.
"Este encontro é mais que uma bilateral, é o renascer de um novo tempo na relação Estados Unidos e Brasil, uma relação de iguais, soberana", mas "de interesses comuns em benefício do povo trabalhador do seu país e do meu", afirmou Lula.
Este é o segundo encontro bilateral entre os presidentes desde a posse de Lula, em janeiro.
- Venezuela e Haiti -
Entre outros temas, Lula e Biden abordaram a crise na Venezuela e no Haiti, além da guerra na Ucrânia.
Os dois reforçaram "a importância da restauração da democracia na Venezuela", informou a Casa Branca em um comunicado, reiterando sua disposição em suspender as sanções impostas ao governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, se forem adotadas "medidas concretas" que levem a eleições livres e justas.
Durante o encontro, o presidente americano também pediu ao colega que apoie o envio de uma missão multinacional de apoio à segurança no Haiti.
As consequências da guerra na Ucrânia, sobretudo para a segurança alimentar e energética, também estiveram na agenda, segundo a Casa Branca.
Sobre este tema, há divergências. Washington lidera o envio de ajuda a Kiev contra as tropas russas e Lula defende uma posição neutra e defende uma saída negociada.
Depois de conversar com Biden, Lula se reuniu com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, com quem manteve uma "boa conversa sobre a importância dos caminhos para a construção da paz e mantermos sempre o diálogo aberto entre nossos países", informou o presidente na plataforma X (antigo Twitter).
- "Democracia em perigo" -
Lula e Biden também falaram sobre a democracia, a transição energética e a proteção ao meio ambiente.
Ele se referiu aos ataques de apoiadores de seu antecessor, Jair Bolsonaro, às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro passado, em Brasília, que produziram cenas similares à invasão ao Capitólio por apoiadores do ex-presidente americano Donald Trump em 6 de janeiro de 2021.
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Paulo Pimenta, assinou pelo Brasil a Declaração Global para a Integridade da Informação Online. O documento, promovido pelo Canadá e pelos Países Baixos, combate a desinformação e promove a proteção da informação.
A.Kunz--VB