-
LaLiga pagará torcedores que denunciarem transmissões ilegais de jogos do Campeonato Espanhol
-
Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica
-
Uma das últimas sobreviventes do Holocausto alerta para ressurgimento do antissemitismo
-
Rubio espera restabelecer relações com a Venezuela 'em breve' e traça futuro cautelosamente otimista
-
Putin e presidente da Síria trocam elogios em reunião sobre bases militares russas
-
Lula critica divisão da América Latina sobre a Venezuela
-
Mundo não está preparado para o aumento do calor extremo, dizem cientistas
-
Lucas Paquetá volta ao Flamengo em transferência recorde no futebol sul-americano
-
Elie Saab celebra noites douradas em Paris e IA invade desfile de alta-costura
-
Trump acusa prefeito de Minneapolis de 'brincar com fogo' sobre imigração
-
Com US$ 13,11 bilhões em transferências, futebol bateu mais um recorde em 2025
-
Suécia planeja proibir celulares em escolas de níveis fundamental e médio
-
Amazon corta 16 mil empregos como parte de estratégia para investir em IA
-
Hamas diz estar disposto a transferir o governo de Gaza
-
Venezuela almeja retorno da bonança com impulso dos EUA
-
'Quadribol', o esporte de Harry Potter que conquistou a Uganda
-
Brasil defende açaí da Amazônia contra 'biopirataria'
-
Japão ainda está longe de alcançar a paridade de gênero nas eleições legislativas
-
Captura de Maduro é um cenário de pesadelo para Kim Jong Un, diz ex-diplomata da Coreia do Norte
-
Sinner e Djokovic vão à semifinal do Aberto da Austrália; Swiatek é eliminada
-
Patrulha de trenós Sirius: a elite que vigia os confins inóspitos do Ártico na Groenlândia
-
Reino Unido quer permitir que sites rejeitem a IA do Google
-
Irã descarta negociações com EUA se ameaças não cessarem
-
Quantos microplásticos há no corpo? Pesquisadores tentam pôr fim ao debate
-
Israel enterra o último refém em Gaza
-
Influencer americano IShowSpeed mostra 'outra' África durante turnê
-
Minneapolis aguarda desescalada anunciada por Trump em sua campanha antimigratória
-
Sinner derrota Shelton com tranquilidade e avança às semis do Aberto da Austrália
-
UE considera proibir o acesso de menores às redes sociais
-
Congressista democrata não se dobra após ser atacada com líquido em comício nos EUA
-
Petróleo brasileiro gera inveja e debate na Guiana Francesa
-
Primeiro-ministro britânico visita a China para defender associação 'pragmática'
-
Otan deve se tornar mais europeia, afirma chefe da diplomacia da UE
-
Ex-primeira-dama da Coreia do Sul condenada a 20 meses de prisão por recebir subornos
-
Djokovic avança às semifinais do Aberto da Austrália após desistência de Musetti
-
Rybakina vence Swiatek e enfrentará Pegula nas semifinais do Aberto da Austrália
-
Rybakina vence Swiatek e vai às semifinais do Aberto da Austrália
-
Bombardeios russos na Ucrânia matam 12 pessoas e atingem trem de passageiros
-
Trump alerta para 'coisas ruins' se republicanos perderem eleições de meio de mandato
-
América Latina e Caribe impulsionam plano de ajuda ao Haiti
-
'A transição não começou', diz opositora venezuelana ao sair da clandestinidade
-
Liga dos Campeões se prepara para uma emocionante "super quarta-feira"
-
Estudo aponta cerca de 2 milhões de baixas militares em guerra na Ucrânia
-
'Não há planos de eleições' presidenciais na Venezuela, diz filho de Maduro
-
Trump promete 'desescalar um pouco' a situação em Minnesota, mas descarta demissões
-
Vasco contrata atacante colombiano Marino Hinestroza
-
Wembanyama diz estar "horrorizado" com a morte de civis em Minneapolis
-
Senado dos EUA convoca chefes das principais agências migratórias
-
Como vence Fiorentina (3-1) e vai enfrentar Napoli nas quartas da Copa da Itália
-
Celebridades convocam protestos contra ações da polícia migratória dos EUA
Narcotráfico transforma jornalismo em profissão de alto risco no Equador
Eles se protegem com coletes à prova de balas e capacetes para praticar o jornalismo, mesmo que não estejam na Ucrânia nem na Faixa de Gaza. Eles cobrem as notícias do Equador, onde a violência relacionada ao tráfico de drogas transformou sua profissão em uma atividade de alto risco.
Assassinatos entre prisioneiros, homicídios nas ruas, tiroteios, explosões de carros-bomba, crimes políticos. E a guerra dos cartéis pelo espólio das drogas também se volta contra os repórteres: três foram assassinados em 2022 em circunstâncias não esclarecidas, de acordo com organizações não governamentais, e cerca de 15 foram ameaçados de morte até o momento.
"A droga é o cerne dessa violência, à qual também está ligada a corrupção" no poder político, explica Eric Samson, correspondente no Equador da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras, à AFP.
Cinco comunicadores estão refugiados fora do país, enquanto um ex-jornalista e candidato presidencial foi morto a tiros durante a campanha pré-eleitoral para as eleições de agosto.
Localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador se tornou nos últimos anos um foco de criminalidade. A taxa de homicídios quadruplicou entre 2018 e 2022, saltando de 6 para 26 a cada 100.000 habitantes.
"A crise que os jornalistas enfrentam é complicada porque estamos vivendo momentos sem precedentes em termos de segurança, algo que costumávamos associar apenas ao México e que era muito distante da nossa realidade", afirma à AFP um repórter ameaçado que, por "medo", prefere não ser identificado.
No estilo do narcotráfico mexicano, nos últimos anos têm surgido no Equador corpos pendurados em pontes e cadáveres desmembrados nas estradas.
"Não é fácil o que estamos vivendo atualmente para podermos fazer nosso trabalho", acrescenta este jornalista da cidade portuária de Guayaquil, uma das mais violentas do país.
O jornalista mudou de casa por ameaças nas quais o chamavam de "sapo hp" (soplón hijo de puta ou dedo-duro filho da puta, em tradução literal) e que sua locatária ouviu de um mototaxista que a transportava.
Especialistas estimam que o Equador encerrará 2023 com pelo menos 40 homicídios a cada 100.000 habitantes.
- "Zonas silenciadas" -
Em Guayaquil, os repórteres geralmente trabalham com proteção à prova de balas, alguns com coletes e capacetes de guerra, como os usados para cobrir a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques do movimento islamita palestino Hamas contra Israel.
A cobertura em torno do grande complexo prisional de Guayaquil é particularmente arriscada. Este é o cenário mais frequente de confrontos entre presos ligados ao crime organizado, deixando cerca de 460 mortos desde 2021.
Segundo o repórter, além de trabalharem blindados, “como medida de segurança” os jornalistas fornecem dados falsos em procedimentos públicos: “para que o crime organizado (...) se eles colocarem a lupa em você, fica no mínimo mais difícil para que eles te localizem", explica.
O magnicídio, em 9 de agosto, do candidato presidencial Fernando Villavicencio, quando ele saía de um comício em Quito, alimentou o medo. Desde então, os candidatos Luisa González (esquerda) e Daniel Noboa (direita) reforçaram a segurança. O mesmo fizeram os jornalistas que cobrem as campanhas com vistas ao segundo turno de domingo. Alguns viajam em carros blindados.
Antes de seu assassinato, Villavicencio relatou ameaças de "Los Choneros", a principal máfia equatoriana ligada aos cartéis de Sinaloa (México), ao Clan del Golfo (Colômbia) e às redes dos Bálcãs.
Samson, da Repórteres Sem Fronteiras, garante que a “autocensura” em questões criminais é uma das principais consequências.
“Desenvolvem-se áreas silenciadas ou buracos negros de informação, que são áreas em que trabalhar é muito difícil”, destaca.
- Eleições -
Em março, cinco envelopes com pen drives carregados com explosivos chegaram a jornalistas de diversos meios de comunicação. Um deles sofreu ferimentos leves após a detonação.
No ano passado o canal RTS foi atacado a tiros e em 2020 um artefato explodiu na Teleamazonas.
“Há um mês e meio uso colete à prova de balas e capacete”, diz um fotojornalista de Guayaquil.
Em duas ocasiões foi “advertido” em Durán, cidade vizinha tomada por traficantes de drogas. “Eles me disseram ‘cuidado, é assim que os sapos morrem (...) não ficam tirando fotos, não sabem no que estão se metendo’”, diz ele.
O grupo Periodistas Sin Cadenas, formado depois que três membros do jornal El Comercio de Quito morreram nas mãos de dissidentes da guerrilha colombiana FARC em 2018, registrou 216 ataques contra repórteres entre janeiro e agosto.
A imprensa amordaçada em tempos eleitorais preocupa a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
“Um dia de votação com histórico de violência, ameaças, estigmatização e exílio de jornalistas exige esforços extremos para dar proteção e garantias aos jornalistas que realizam seu trabalho de informar a sociedade”, disse na rede X Pedro Vaca, relator da CIDH.
F.Fehr--VB