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Governo dos EUA é acusado de omitir arquivos do caso Epstein que mencionam Trump
Democratas acusaram nesta quarta-feira o governo de Donald Trump de realizar "o maior encobrimento governamental da história moderna", após veículos americanos informarem que o governo omitiu documentos dos arquivos do caso Jeffrey Epstein que mencionam o presidente.
O Departamento de Justiça publicou milhões de páginas de arquivos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, em virtude de uma lei de transparência promulgada no ano passado. Mas a emissora pública NPR encontrou lacunas nos arquivos relacionados a uma denúncia de agressão sexual feita em 2019 por uma mulher contra Trump.
O presidente negou ter cometido qualquer irregularidade e afirmou que a publicação dos chamados "Arquivos Epstein" do Departamento de Justiça o isentou.
Os índices e números de série anexados ao material de investigação sobre a rede de tráfico de Epstein indicam que agentes do FBI fizeram quatro entrevistas com a denunciante e escreveram resumos e anotações anexas, informou a NPR.
A base de dados pública mostra apenas um resumo focado principalmente nas alegações da mulher contra Epstein. Os outros três resumos e as notas relacionadas não estão disponíveis no site do Departamento de Justiça, segundo a revisão do sistema de numeração de documentos feita pela NPR. O jornal The New York Times e a rede MS NOW relataram descobertas semelhantes.
"É a maior operação de encobrimento do governo na história moderna", denunciaram em redes sociais os deputados democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes. "Exigimos respostas", acrescentaram.
Segundo a investigação, a denunciante entrou em contato com autoridades pela primeira vez em julho de 2019, logo após a prisão de Epstein por acusações federais de tráfico sexual. Referências internas posteriores nos arquivos publicados apontam que a mulher alegou ter conhecido Trump por meio do financista, e que o primeiro a agrediu em meados da década de 1980, quando a denunciante tinha entre 13 e 15 anos.
Um documento de 2025 do FBI, que consta da base de dados pública, relata essa denúncia, mas não inclui uma avaliação da sua credibilidade. Os memorandos detalhados das entrevistas de acompanhamento, realizadas em agosto e outubro de 2019, segundo os índices, não foram incluídos.
O democrata Robert García, do Comitê de Supervisão, afirmou que os deputados democratas "podem confirmar que o Departamento de Justiça parece ter ocultado ilegalmente entrevistas do FBI com essa sobrevivente".
García acrescentou que os democratas vão abrir uma investigação paralela e exigir que os arquivos que faltam sejam entregues ao Congresso.
Consultado pela AFP, o Departamento de Justiça remeteu a uma resposta publicada no X, na qual negou ter suprimido arquivos e afirmou que os documentos removidos temporariamente para ocultar trechos relacionados às vítimas ou remover informações de identificação pessoal serão restaurados.
H.Kuenzler--VB