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Governo britânico se dispõe a publicar documentos sobre ex-príncipe Andrew
O governo britânico declarou, nesta terça-feira (24), ser a favor de divulgar os documentos relacionados à nomeação do ex-príncipe Andrew como representante especial para o Comércio Internacional em 2001, após sua prisão na semana passada em conexão com o caso Epstein.
Após o Departamento de Justiça dos EUA divulgar os arquivos do criminoso sexual americano, o irmão do rei Charles III tornou-se suspeito de má conduta enquanto ocupava um cargo público. Nenhuma acusação formal foi apresentada contra ele até o momento.
Nesta terça-feira, o ministro do Comércio, Chris Bryant, apoiou a moção do Partido Liberal Democrata (centrista) no Parlamento para que o governo trabalhista divulgasse os documentos relacionados à nomeação de Andrew Mountbatten-Windsor.
"Deixe-me ser claro desde o início. Apoiamos esta moção", disse Bryant, que descreveu o ex-príncipe como "um homem em uma constante busca por autoengrandecimento e enriquecimento pessoal".
Alguns dos documentos divulgados parecem indicar que o então príncipe repassou informações confidenciais ao financista, que cometeu suicídio na prisão em 2019, durante o período em que atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, de 2001 a 2011.
Como resultado deste caso, o ex-príncipe Andrew passou onze horas em uma delegacia na quinta-feira, um acontecimento que abalou os alicerces da monarquia britânica.
- "Grosseiro e arrogante" -
Chris Bryant descreveu Andrew Mountbatten-Windsor como "grosseiro, arrogante, com um senso de privilégio; incapaz de distinguir entre o interesse público, que alegava servir, e seus próprios interesses privados".
Bryant alertou, contudo, que o governo deve consultar a polícia sobre quais documentos podem ser divulgados, para não comprometer a investigação.
O governo manifestou sua disposição em divulgar os arquivos horas depois de a polícia ter libertado sob fiança o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, nesta terça-feira.
Mandelson foi preso na segunda-feira sob suspeita de negligência no cumprimento do dever durante seu mandato como chefe do Departamento da Indústria no governo trabalhista, de 2008 a 2010.
Assim como o ex-príncipe Andrew, os laços de Mandelson com Epstein eram conhecidos.
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, disse ao Parlamento nesta terça-feira que a relação de Andrew e Mandelson com Epstein representa uma "mancha" no Reino Unido.
"Precisamos começar a limpar essa mancha com o desinfetante da transparência", disse Davey.
As palavras de Davey foram reiteradas pelo ministro do Comércio, que expressou a disposição de seu governo em divulgar os documentos.
"É o mínimo que devemos às vítimas dos horríveis abusos perpetrados por Jeffrey Epstein e outros", disse Bryant.
"Abusos que foram permitidos, facilitados e apoiados por um amplo grupo de indivíduos arrogantes, privilegiados e, muitas vezes, muito ricos, neste país e em outros", acrescentou o ministro.
Embora as duas investigações sejam separadas, o jornal The Telegraph descobriu declarações feitas por Mandelson no Parlamento em 2001, nas quais ele considerava o então príncipe Andrew "plenamente qualificado" para ocupar o cargo de representante para o Comércio Internacional.
- Starmer sob pressão -
Andrew Lownie, ex-jornalista da BBC e biógrafo do ex-príncipe, disse à AFP que Mandelson e Tony Blair, primeiro-ministro trabalhista em 2001, "impuseram a nomeação" de Andrew.
Na época, Mandelson também ocupava o cargo de ministro da Indústria e Comércio.
As revelações sobre os laços de Mandelson com Epstein pressionaram o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusado de nomeá-lo mesmo sabendo de sua proximidade com o financista americano após a condenação deste por crimes sexuais.
Starmer, que retirou Mandelson do cargo de embaixador em setembro de 2025 após novas informações que o ligavam a Epstein virem à tona, pediu desculpas às vítimas.
Apesar de tudo, o primeiro-ministro declarou há duas semanas que seu governo está "forte e unido", em uma tentativa de dissipar as dúvidas sobre uma possível renúncia em decorrência da nomeação de Mandelson.
P.Vogel--VB