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Paquistão chora vítimas de ataque a mesquita xiita
Milhares de pessoas se reuniram neste sábado nos arredores da mesquita xiita de Islamabad atacada na véspera por jihadistas do grupo Estado Islâmico, para se despedir de algumas das 31 vítimas.
Atiradores de elite posicionados em telhados e policiais faziam a segurança do funeral. Pessoas do entorno do suspeito de ser o autor do ataque suicida foram presas hoje, informou à AFP uma fonte da segurança.
O suposto combatente era originário de Peshawar, segundo uma autoridade policial dessa região do noroeste. Uma fonte da segurança informou ontem à AFP que ele foi detido na entrada da mesquita e detonou os explosivos.
Autoridades de Islamabad reportaram que 31 pessoas morreram e 169 ficaram feridas no ataque, o mais sangrento registrado na capital paquistanesa desde setembro de 2008, quando 60 pessoas morreram em um atentado suicida com um caminhão-bomba, que destruiu parte do luxuoso hotel Marriott.
O fiel Imran Mahmood contou que "um voluntário responsável pela segurança da mesquita atirou no agressor quando ele tentava entrar", mas que ele conseguiu detonar seus explosivos perto da porta, enquanto um homem que o acompanhava atirava contra os voluntários que protegiam o local, acrescentou.
- Prisões -
O irmão do suspeito foi preso em Peshawar, e sua mãe, em Islamabad, informou uma fonte da segurança. Um cúmplice do ataque morreu em Nowshera, acrescentou.
"Os responsáveis devem ser julgados e receber a punição mais severa possível", disse Bushra Rahmani, irmão de um dos feridos, que participou do funeral.
"O que aconteceu é desumano. Seja qual for a fé, atacar pessoas que estão rezando é inaceitável", lamentou Syed Shah, morador de Islamabad, que compareceu à cerimônia para expressar solidariedade à comunidade xiita.
O Paquistão é um país de maioria sunita, onde os xiitas representam entre 10% e 15% da população e foram atacados no passado por grupos jihadistas.
Assim como alguns fiéis da mesquita, Shah critica o que chama de "fracasso do governo". "Quando um país tem autoridades e instituições, as pessoas deveriam se sentir seguras."
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou o atentado e afirmou que os responsáveis serão encontrados e levados à Justiça. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que "ataques contra civis e locais de culto são inaceitáveis".
J.Marty--VB