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Governo Trump é processado por morte de 2 homens em ataque a narcolanchas no Caribe
Familiares de dois trinitinos que morreram no ano passado durante um ataque militar dos Estados Unidos contra uma embarcação supostamente ligada ao narcotráfico processaram o governo do presidente americano, Donald Trump, por homicídio, nesta terça-feira (27).
Trata-se da primeira ação judicial apresentada contra o governo americano após ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, que deixaram ao menos 125 mortos desde setembro.
A ação foi apresentada em um tribunal federal de Massachusetts pelas famílias de Chad Joseph, de 26 anos, e Rishi Samaroo, de 41. Ambos estavam entre os seis mortos registrados em um ataque em 14 de outubro no Caribe.
Na época, Trump afirmou que "seis homens ligados ao narcotráfico" foram mortos no ataque com mísseis contra uma embarcação que supostamente transportava drogas da Venezuela para os Estados Unidos.
Até o momento, Washington não apresentou nenhuma evidência que comprove que as embarcações atacadas pertenciam a cartéis de drogas.
"Os homicídios ilegais de pessoas no mar por ação dos Estados Unidos, incluindo o senhor Joseph e o senhor Samaroo, constituem mortes injustas e execuções extrajudiciais", afirma a ação. "Esses assassinatos premeditados e intencionais carecem de qualquer justificativa legal plausível", acrescenta.
O documento indica que os atos "foram simplesmente assassinatos, ordenados por indivíduos nos mais altos níveis do governo e obedecidos por oficiais militares na cadeia de comando".
O caso foi apresentado com base na Lei de Mortes em Alto-Mar (High Seas Act), que permite reparação por mortes injustas no mar, e no Estatuto de Agravos contra Estrangeiros (Alien Tort Statute), que permite a estrangeiros apresentar ações em tribunais americanos por violações de direitos.
Os autores da ação são representados pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e pelo Centro de Direitos Constitucionais (CCR).
Os familiares solicitam uma indenização cujo valor será determinado no julgamento.
Segundo a ação, nenhum dos dois homens tinha vínculos com cartéis de drogas e eles apenas pegaram carona para retornar a Trinidade a partir da Venezuela, onde haviam trabalhado com pesca e agricultura.
Em dezembro, a família de um colombiano morto em outro ataque apresentou uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com sede em Washington.
D.Bachmann--VB