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Mistério de três bebês abandonados em anos diferentes em Londres segue sem resolução
Entre 2017 e 2024, três recém-nascidos, que descobriram ser irmãos, foram abandonados em parques de Londres. Após anos de investigação, o mistério continua sem solução e a polícia parece estar prestes a desistir.
Os recém-nascidos foram encontrados por pedestres em setembro de 2017, janeiro de 2019 e janeiro de 2024, em parques próximos a East Ham, na periferia leste de Londres, bairros com população etnicamente diversa, onde se misturam elegantes casas vitorianas e habitações sociais.
A pequena Elsa, como foi chamada pela equipe do hospital que a acolheu, foi encontrada em 18 de janeiro de 2024, menos de uma hora depois do seu nascimento, por um homem que passeava com seu cachorro.
Roman foi encontrado em 31 de janeiro de 2019, em outro parque localizado a menos de dois quilômetros de distância. Enrolada em uma manta, antes de uma nevasca, seus choros chamaram atenção dos pedestres.
Harry, o primeiro bebê, foi descoberto em 17 de setembro de 2017, a um quilômetro do local onde Roman foi encontrada.
A investigação começou em 2017 e se intensificou após a descoberta do terceiro bebê.
No entanto, a polícia de Londres considera que "esgotou todas as pistas".
- Um quarto bebê? -
As forças de segurança bateram em portas de 400 lares, analisaram centenas de horas de imagens de videovigilância e ofereceram uma recompensa de 20 mil libras (cerca de 145 mil reais), sem resultados.
A principal descoberta ocorreu em junho de 2025, quando os testes de DNA confirmaram que os três bebês eram irmãos.
O investigador responsável pelo caso, Jamie Humm, declarou temer que em breve seja descoberto um quarto bebê.
O caso gera preocupação quanto ao destino da mãe.
"Como mãe, me pergunto como alguém pode abandonar seu filho", comentou Charlotte Mallett, moradora de East Ham, à AFP, recordando o frio que fazia no dia em que a televisão local informou a descoberta de Roman. O abandono pode ser resultado de uma "situação forçada" e "sem outra saída possível", acrescenta.
Para Kevin Browne, especialista em psicologia que trabalhou em casos de abandono infantil, a mãe poderia ser uma imigrante que, em um clima de hostilidade e expulsões crescentes, prefere evitar qualquer contato com as autoridades.
O fato dela ter dado à luz em segredo, arriscando a própria vida e a de seus bebês, pode indicar que estava "apavorada", acrescentou Brown à AFP.
- "Uma menina maravilhosa" -
Neste caso, tão "estranho" quanto "complexo", "ao imaginar as circunstâncias que poderiam ter colocado a mãe nesta situação, percebe-se que talvez ela também esteja em perigo", ressalta Lorraine Sherr, psicóloga e especialista em saúde mental da University College de Londres.
O abandono de bebês se tornou tão raro que o governo britânico não coleta mais estatísticas. Os últimos dados registram oito recém-nascidos abandonados entre 2008 e 2018 na Inglaterra e no País de Gales, segundo a juíza responsável pelo caso da pequena Elsa.
Em alguns países, como a França, uma mulher pode dar à luz de forma anônima e entregar imediatamente seu bebê para adoção. Essa possibilidade não existe no Reino Unido, que também não conta com "caixas para bebês", ao contrário de alguns estados dos Estados Unidos, que facilitam um abandono anônimo.
Harry e Roman, que hoje têm oito e seis anos, foram adotados.
Elsa, que tem quase dois anos, está com uma família de acolhimento que recentemente iniciou um processo de adoção.
É "uma menina maravilhosa, repleta de risos e entusiasmo", segundo a juíza de assuntos familiares Carol Atkindon, que acompanha o processo.
As autoridades esperam que as três crianças mantenham vínculos à medida que crescerem.
Mas, provavelmente, nunca saberão dos seus pais. "Guardarão esse sofrimento afetivo por toda a vida", ressalta o especialista Kevin Browne.
B.Wyler--VB