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Irã anuncia julgamentos 'rápidos' para manifestantes detidos nos protestos
O Judiciário iraniano anunciou, nesta quarta-feira (14), julgamentos "rápidos" para manifestantes detidos durante os protestos contra o regime, justamente quando ONGs temem a aplicação em massa da pena de morte.
As manifestações começaram como um protesto contra o custo de vida, mas evoluíram para um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979 e é liderado pelo líder supremo Ali Khamenei desde 1989.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos agiriam "com muita firmeza" se as autoridades começassem a executar os presos durante os protestos que abalaram o país desde 28 de dezembro.
O Irã respondeu acusando Washington de buscar um "pretexto" para justificar uma intervenção militar e uma eventual mudança de regime.
A Anistia Internacional e o Departamento de Estado dos EUA afirmam ter informações sobre aquela que seria a primeira execução de um manifestante, agendada para esta quarta-feira.
"Mais de 10.600 manifestantes foram presos (...) Um deles é Erfan Soltani, de 26 anos, cuja execução está marcada para 14 de janeiro", disse o Departamento de Estado em uma mensagem em farsi na rede X.
A Anistia Internacional pediu ao Irã que "suspenda imediatamente todas as execuções, incluindo a de Erfan Soltani".
O chefe do Judiciário, Gholamhosein Mohseni Ejei, passou cinco horas nesta quarta-feira em uma prisão de Teerã onde manifestantes — rotulados de "rebeldes" pelas autoridades — estão detidos para revisão de seus casos, informou a mídia iraniana.
Após a visita, ele prometeu julgamentos "rápidos" e "públicos".
"Se alguém ateou fogo em uma pessoa, a decapitou antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente", declarou.
Trump, cujas intenções em relação ao Irã permanecem ambíguas, tem ameaçado repetidamente uma intervenção militar desde o início dos protestos.
"Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — ASSUMAM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES!", escreveu ele em uma mensagem em sua plataforma Truth Social.
Os Estados Unidos já bombardearam instalações nucleares iranianas em 22 de junho, como parte da guerra de 12 dias entre Israel e a República Islâmica.
- Ao menos 700 mortos -
A repressão no Irã deixou pelo menos 734 mortos, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, que estima que o número real de mortos possa chegar a vários milhares.
O acesso à internet permanece cortado em todo o país pelo sétimo dia consecutivo, segundo a organização de cibersegurança NetBlocks, o que dificulta o acesso à informação.
Segundo a Human Rights Watch, há informações confiáveis de que "as forças de segurança estão realizando massacres em larga escala em todo o país".
Novos vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul da capital iraniana.
"A violência está aumentando, as prisões também. Os opressores estão atirando indiscriminadamente", disse Kian Tahsildari à AFP em Istambul na terça-feira, relatando o depoimento de amigos em Mashhad, no nordeste do Irã.
A mídia estatal iraniana transmite continuamente imagens da destruição e presta homenagens aos membros das forças de segurança mortos.
A televisão estatal transmitiu nesta quarta-feira imagens de uma enorme manifestação em Teerã, em homenagem a mais de 100 membros das forças de segurança e outros "mártires" mortos nos protestos contra o regime.
A nível internacional, as condenações aumentam: a ONU declarou-se "horrorizada" e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou o número "apavorante" de mortos e afirmou estar considerando novas sanções contra Teerã.
Trump anunciou na terça-feira sanções contra os parceiros comerciais do Irã, com tarifas de até 25% que entram em vigor "imediatamente".
Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã deposto em 1979 e figura proeminente da oposição iraniana exilada nos Estados Unidos, instou o exército na terça-feira a "unir-se ao povo o mais rápido possível".
Analistas acreditam ser muito cedo para prever a queda do poder teocrático no Irã e apontam que a República Islâmica possui instrumentos repressivos significativos, a começar pela Guarda Revolucionária.
L.Maurer--VB