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Investigadores suíços identificam 24 mortos em incêndio na noite de Ano Novo
Os corpos de 24 pessoas, entre elas onze menores e seis estrangeiros, puderam ser identificados após um incêndio em um bar de Crans-Montana, na Suíça, na noite de Ano Novo, anunciou neste domingo (4) a polícia regional.
As autoridades do Cantão do Valais, onde ocorreu a tragédia que deixou 40 mortos e 119 feridos, indicaram que foram identificadas quatro mulheres e seis homens suíços de 14 a 31 anos, dois italianos de 16 anos, um francês de 39 anos, uma pessoa com dupla nacionalidade italiana e emiradense de 16 anos, um romeno de 18 anos e um turco de 18 anos.
A polícia já havia anunciado no sábado a identificação de oito suíços, sendo 24 as identidades confirmadas.
“Nosso Arthur foi celebrar no paraíso”, escreveu em sua conta no Facebook a mãe de Arthur Brodard, que nos últimos dias expressou preocupação com o desaparecimento do filho de 16 anos desde a tragédia.
“Agora podemos começar o nosso luto sabendo que ele está em paz”, acrescentou Laetitia Brodard Sitre, publicando uma foto do filho abrindo um presente.
Na sexta-feira, a polícia disse ter identificado formalmente 113 dos 119 feridos: 71 suíços, 14 franceses (16 segundo o Ministério francês das Relações Exteriores no sábado), 11 italianos, quatro sérvios, além de um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português.
Vários pacientes com queimaduras graves foram transferidos para hospitais da França, Bélgica, Alemanha e Itália.
O incêndio começou por volta de 01h30 local (21h30 da noite anterior em Brasília) de quinta-feira, 1º de janeiro, no subsolo do bar Le Constellation, frequentado por turistas, muitos deles jovens.
A promotora da região, Béatrice Pilloud, declarou na sexta-feira que “tudo indica que o fogo se originou por velas colocadas sobre garrafas de champanhe, muito próximas do teto”.
Além das velas, os investigadores também analisam se a espuma que revestia o teto do porão do bar, a título de isolamento acústico, teve influência no incêndio.
Neste domingo, uma missa em memória das vítimas foi seguida de uma marcha silenciosa, na qual participaram centenas de pessoas em Crans-Montana, até à capela ardente instalada perto do local da tragédia.
“Estamos aqui para dizer que perante o indizível, a brutalidade da morte e do sofrimento, não queremos fechar os olhos. Estamos aqui para expressar nossa compaixão, nossa proximidade”, declarou o pastor Gilles Cavin na igreja lotada.
Apesar das temperaturas que baixaram aos -9 °C, centenas de pessoas permaneceram fora do templo, situado a cerca de 300 metros do bar, algumas com flores na mão.
- Obras no porão -
As autoridades suíças anunciaram no sábado a abertura de uma investigação penal contra os dois gerentes do local.
São dois franceses “acusados de homicídio por negligência, lesões corporais por negligência e incêndio por negligência”, indicaram a polícia e a Procuradoria-Geral do Valais em um comunicado.
A investigação tem como foco as obras realizadas no porão em 2015, nos materiais utilizados, nas autorizações e medidas de segurança.
Será necessário examinar vários elementos, em particular a natureza da espuma, isolante acústico que revestia o teto e que aparentemente queimou rapidamente, além do cumprimento das normas de acesso e saídas de emergência.
“A documentação (do estabelecimento) foi solicitada ao município e já foi obtida. Encontra-se em análise”, declarou no sábado à imprensa a procuradora Pilloud, acrescentando que, enquanto não houver condenação, prevalece a presunção de inocência.
Ao término da instrução, o Ministério Público decidirá se arquiva o caso ou se emite uma acusação que poderá levar a um julgamento.
Enquanto isso, os implicados não foram objeto de nenhuma medida de prisão provisória ou domiciliar, confirmou à AFP um porta-voz da polícia regional.
R.Kloeti--VB