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Autoridades apontam sinalizadores como causa de incêndio em bar na Suíça
O incêndio que devastou um bar na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, durante as comemorações de Ano Novo, foi provavelmente causado por sinalizadores acesos dentro do estabelecimento, afirmaram nesta sexta-feira (2) as autoridades do país, que trabalham para identificar as 40 vítimas fatais.
Além dos mortos, o incêndio deixou 119 feridos, vários deles em estado crítico.
Na medida em que a magnitude da tragédia -- uma das piores no país -- começava a se tornar evidente, Crans-Montana parecia envolta em um silêncio carregado de consternação.
"A atmosfera é pesada", explicou à AFP Dejan Bajic, um turista de 56 anos de Genebra que frequenta esta estação de esqui, no sudoeste da Suíça, desde 1974.
"É como um pequeno povoado, todos conhecemos alguém que conhece alguém atingido", acrescentou.
Enquanto as autoridades prosseguem com o processo de identificação das vítimas, muitas famílias seguem sem notícias de seus entes queridos.
Nas redes sociais circulam dezenas de publicações com fotos, descrições de roupas e apelos desesperados para obter qualquer pista sobre seu paradeiro.
A procuradora do cantão de Valais, Béatrice Pilloud, indicou que há a mobilização de importantes meios "para identificar as vítimas e devolver seus corpos às famílias o mais rápido possível".
"Este trabalho pode levar vários dias", indicou, por sua vez, o chefe da polícia cantonal, Frédéric Gisler.
"Tentamos entrar em contato com nossos amigos. Publicamos muitas fotos no Instagram, Facebook, em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los", disse Eléonore, de 17 anos.
"Mas nada, nenhuma resposta. Ligamos para os pais, nada, nem os pais sabem de nada", lamentou a jovem.
- Sinalizadores em garrafas de champanhe -
O incêndio começou por volta de 1h30 GMT de quinta-feira, 1º de janeiro (21h30 de quarta-feira em Brasília), no bar Le Constellation, um local frequentado por turistas, muitos deles jovens, que celebravam o Ano Novo.
"Tudo indica que o fogo foi causado por sinalizadores ou velas vulcão colocadas sobre garrafas de champanhe, muito próximas do teto", declarou a procuradora do cantão de Valais durante entrevista coletiva.
Segundo os presentes, o ato de colocar velas vulcão -- um artefato pirotécnico que solta faíscas -- em garrafas de champanhe era algo habitual nesse estabelecimento.
Segundo testemunhas, o teto estava coberto por uma espuma acústica isolante, o que, segundo as autoridades, explicaria a propagação "rápida e generalizada do incêndio".
As autoridades ainda não conseguiram determinar quantas pessoas estavam no bar de dois andares, um deles subterrâneo, com capacidade para pelo menos 300 pessoas, segundo o site do estabelecimento.
O dono do bar, um francês que administra o estabelecimento junto com sua esposa, afirmou nesta sexta a meios de comunicação que o local passou por "três inspeções em dez anos".
As autoridades interrogaram o casal, mas "até o momento, não foi estabelecida nenhuma responsabilidade penal", indicou a procuradora de Valais.
- Cenas de horror -
Apesar do fogo, as paredes dos edifícios adjacentes ao bar não apresentavam marcas nesta sexta-feira. Até a placa do bar parecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda, sinal de que o incêndio se concentrou sobretudo no subsolo.
As testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar, enquanto outras, cobertas de queimaduras, corriam para a rua.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o início do incêndio no teto, com um jovem tentando apagar o fogo com um grande pano branco. Ao seu lado, outros jovens filmam a cena, mas continuam dançando.
Quanto aos mortos, as autoridades ainda não divulgaram nenhuma informação.
O papa Leão XIV expressou sua "compaixão e solidariedade" às famílias das vítimas.
R.Kloeti--VB