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Suíça trabalha para identificar vítimas de incêndio em festa de Ano Novo
As autoridades suíças trabalhavam, nesta sexta-feira (2), para identificar as quase 40 pessoas que morreram no incêndio que destruiu, durante as comemorações do Ano Novo, um bar na luxuosa estação de esqui de Crans-Montana.
Nas ruas do centro da localidade, algumas famílias com crianças vestidas com roupas de esqui se preparavam para um dia na neve. Contudo, nos poucos cafés abertos no início da manhã, a tragédia estava em todas as conversas.
As redes sociais são dominadas por apelos para tentar encontrar os desaparecidos.
A procuradora-geral do cantão de Valais, no sudoeste da Suíça, Béatrice Pilloud, disse que foram mobilizados grandes recursos "para identificar as vítimas e devolver seus corpos às famílias o mais rápido possível".
"O trabalho pode levar vários dias", afirmou o chefe de polícia do cantão, Frédéric Gisler.
Além das vítimas fatais, as autoridades contabilizam 115 feridos, pelo menos 80 deles em estado crítico, afirmou Mathias Reynard, presidente do governo regional de Valais, ao jornal Walliser Bote.
O incêndio começou por volta de 1h30 GMT de quinta-feira, 1º de janeiro (21h30 de quarta-feira em Brasília), no bar Le Constellation de Crans-Montana, um local frequentado por turistas, muitos deles jovens, que celebravam o Ano Novo.
As autoridades ainda não conseguiram determinar quantas pessoas estavam no bar de dois andares, um deles subterrâneo, com capacidade para pelo menos 300 pessoas, segundo o site do establecimento
"Tentamos localizar os nossos amigos. Tiramos muitas fotos e postamos no Instagram, no Facebook e em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los", afirmou Eleonore, de 17 anos. "Mas não há nada. Sem resposta. Ligamos para os pais, nada, nem mesmo os pais sabem de nada", acrescentou.
- "Atmosfera pesada" -
"A atmosfera está pesada", declarou à AFP Dejan Bajic, um turista de 56 anos de Genebra que frequenta a estação de esqui desde 1974. "É como um pequeno vilarejo, todos nós conhecemos alguém que conhece alguém afetado".
Na rua em frente ao bar, várias pessoas depositaram flores.
As testemunhas que concederam entrevistas a vários meios de comunicação concordam sobre a possível causa da tragédia: sinalizadores posicionados em garrafas de champanhe que tocaram o teto do bar e provocaram o incêndio. Segundo várias pessoas, era algo habitual no estabelecimento.
O fogo provocou "um incêndio generalizado que causou uma ou várias explosões" no bar, segundo as autoridades locais, que descartaram de imediato a hipótese de um atentado e prosseguem com a investigação.
Apesar do fogo, as paredes dos edifícios adjacentes ao bar não apresentavam marcas nesta sexta-feira. Até a placa do bar parecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda, sinal de que o incêndio se concentrou sobretudo no subsolo.
As testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar, enquanto outras, cobertas de queimaduras, corriam para a rua.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o início do incêndio no teto, com um jovem tentando apagar o fogo com um grande pano branco. Ao seu lado, outros jovens filmam a cena, mas continuam dançando.
O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo na quinta-feira, classificou o incidente como "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes". Ele anunciou que as bandeiras permanecerão hasteadas a meio mastro por cinco dias.
- Estrangeiros entre as vítimas -
As autoridades acreditam que há muitos estrangeiros entre as vítimas, mas ainda não divulgaram qualquer informação sobre as identidades.
Os feridos foram levados para vários hospitais em Lausanne, Genebra e Zurique, e até para a vizinha França e para a Itália.
Nove franceses estão entre os feridos e oito ainda não foram localizados, segundo o Ministério das Relações Exteriores da França.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que viajará para Crans-Montana, informou que 15 italianos ficaram feridos e um número similar continua desaparecido.
Uma célula de crise foi instalada no centro de convenções de Crans-Montana para receber e orientar as famílias.
Algumas fontes indicaram na quinta-feira à AFP que os proprietários do bar são de nacionalidade francesa, um casal natural da Córsega. Segundo um parente, estariam ilesos, mas não foi possível localizar o casal.
U.Maertens--VB