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Tribunal de paz da Colômbia condena ex-alto comando militar por execuções de civis
O tribunal de paz da Colômbia condenou, nesta sexta-feira (19), um ex-alto comando do Exército a 20 anos de prisão por 72 casos de assassinatos de civis apresentados como guerrilheiros e de execuções de rebeldes desarmados.
A Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada a partir do acordo com a guerrilha das Farc em 2016, considerou culpado o coronel da reserva Publio Hernán Mejía por crimes contra a humanidade e crimes de guerra, como homicídio de pessoa protegida, desaparecimento forçado e tortura.
Entre as vítimas havia camponeses, indígenas, negros e jovens desempregados em situação de vulnerabilidade, segundo um documento da sentença.
Outros eram guerrilheiros executados após ficarem feridos em confrontos ou mortos em combates simulados depois de se renderem.
O tribunal, que julga os crimes mais graves cometidos durante o conflito armado colombiano, prevê penas alternativas à prisão caso os responsáveis reparem as famílias das vítimas e revelem a verdade.
Mejía não reconheceu sua responsabilidade, e o tribunal impôs a pena máxima de prisão, sem benefícios.
Mejía comandou uma base militar no Caribe colombiano entre 2002 e 2003, onde atuou em aliança com paramilitares antiguerra, segundo a JEP.
Na Colômbia, as mortes de jovens pelas forças armadas por execuções à queima-roupa, conhecidas como "falsos positivos", são consideradas um dos crimes mais graves cometidos pela força pública durante o confronto com as guerrilhas que buscavam tomar o poder.
Em setembro, a JEP havia emitido sua primeira sentença contra 12 militares da reserva, incluindo dois coronéis. Nesse caso, eles cumprirão apenas medidas restaurativas, pois reconheceram os fatos.
A JEP estima que a Colômbia registrou ao menos 6.402 casos de "falsos positivos".
Também em setembro, o tribunal proferiu as primeiras sentenças contra a cúpula das Farc, impondo oito anos de trabalhos comunitários por mais de 21 mil sequestros.
J.Sauter--VB