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Cultivos de coca na Bolívia aumentaram 10% em 2024, segundo ONU
A área cultivada com plantas de coca na Bolívia alcançou 34 mil hectares em 2024, uma expansão de 10% em relação a 2023, informou nesta segunda-feira (15) o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês).
A Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de cocaína, fabricada a partir da folha de coca, atrás de Peru e Colômbia, de acordo com estimativas do UNODC.
A legislação boliviana permite até 22 mil hectares desses cultivos para fins tradicionais entre comunidades indígenas, como a mastigação ou o consumo em infusões.
"O excedente entre a superfície autorizada e a reportada chega a 12 mil hectares", disse em entrevista coletiva Mónica Mendoza, representante da UNODC no país. Presume-se que o excedente seja destinado ao narcotráfico.
A região onde os cultivos mais se expandiram foi o Trópico de Cochabamba, reduto do movimento cocaleiro liderado pelo ex-presidente Evo Morales (2006-2019), no centro do país. Lá, as plantações alcançaram 14,2 mil hectares e cresceram 18% em apenas um ano.
Em Los Yungas, uma zona tropical de La Paz, ainda se encontra a maior área cultivada, com 19 mil hectares, embora o crescimento anual tenha sido de 4%. Já no norte de La Paz foi registrada uma redução de 12%, com um total estimado de 478 hectares.
O ministro de Governo (Interior), Marco Antonio Oviedo, afirmou que esses números "demonstram" a "permissividade que houve no passado imediato", durante os governos do Movimento Ao Socialismo (MAS, esquerda), que governou por 20 anos.
O político de centro-direita Rodrigo Paz assumiu a presidência da Bolívia em 8 de novembro.
Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, as erradicações caíram 2,9% em 2024.
"Nós [...] vamos trabalhar arduamente para tentar reduzir os cultivos de coca", afirmou Oviedo.
Diferentemente de relatórios anteriores da UNODC, neste foi calculada a produção potencial de cocaína boliviana.
"Se toda a produção de folha de coca fosse destinada à elaboração ilícita de cocaína, o potencial de produção seria estimado em 394 toneladas métricas", disse Mendoza, da UNODC.
Em 2008, o então presidente Morales rompeu relações com os Estados Unidos sob o argumento de um suposto complô e expulsou a agência antidrogas DEA, que impulsionava políticas de erradicação.
Em entrevista recente à AFP, o czar antidrogas do novo governo, Ernesto Justiniano, assegurou que "muito em breve" a agência americana retornará para uma nova estratégia antinarcóticos.
M.Schneider--VB