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Casamento coletivo celebra rara cena de felicidade entre as ruínas de Gaza
Entre as ruínas de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, dezenas de jovens casais avançam sobre um tapete vermelho vestidos com trajes palestinos bordados para as mulheres e ternos com gravata para os homens.
Em uma cena surreal e alegre nesta cidade devastada por dois anos de guerra, 54 casais se uniram na terça-feira durante uma cerimônia de casamento coletivo, um raro "momento de felicidade", descreveu Karam Moussaaed, um dos recém-casados.
"Precisávamos de algo que nos fizesse sentir que nossos corações ainda estão vivos", disse ele, enquanto tambores, música festiva ressoavam e os casais se dirigiam ao altar nupcial.
Para a cerimônia, foi montado um palco em uma praça entre edifícios meio destruídos e montes de escombros, onde centenas de espectadores se sentaram.
As noivas, com seus vestidos brancos adornados com fitas vermelhas, seguravam contra o peito buquês de flores com as cores da Palestina - vermelho, branco e verde -, enquanto seus esposos agitavam pequenas bandeiras.
Esta cerimônia pôde ser organizada graças ao frágil acordo de trégua vigente desde 10 de outubro, após mais de dois anos de uma devastadora ofensiva realizada por Israel em resposta ao ataque do movimento palestino Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023.
- "Sensação indescritível" -
"É um sentimento muito bonito, uma alegria que realmente precisamos depois de todo o sofrimento que enfrentamos, a fome, a perda de nossos entes queridos e amigos", afirmou Moussaaed.
Hikmat Oussama, outro noivo, compartilhou essa impressão. "É uma sensação indescritível poder começar a reconstruir uma vida depois de toda essa guerra, toda essa destruição. Se Deus quiser, virão dias melhores", declarou.
A cerimônia de casamento coletivo, batizada de "Vestido de Alegria", foi organizada pela fundação humanitária dos Emirados Árabes Al-Faris Al-Shahim.
"Escolhemos este lugar" para dizer que "mais uma vez, a população de Gaza ressurgirá das ruínas", explicou à AFP Charif al Neyrab, responsável pela fundação.
"E se Deus quiser, restauraremos o futuro e reconstruiremos" o território palestino, acrescentou.
Desde a entrada em vigor da trégua entre Israel e o movimento islamista palestino, conseguida sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os habitantes de Gaza começaram timidamente a reconstruir suas vidas destruídas, em um território em grande parte devastado e ainda mergulhado em uma grave crise humanitária.
O cessar-fogo tem sido mantido em geral até agora, apesar de vários ataques do Exército israelense, que afirma ter como alvo combatentes do Hamas.
Segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas, 360 pessoas morreram desde o início da trégua.
B.Baumann--VB