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Inundações na Ásia deixam mais de 800 mortos
O balanço das inundações catastróficas que atingiram Indonésia, Tailândia, Malásia e Sri Lanka nos últimos dias subiu neste domingo (30) para 818 mortos e centenas de desaparecidos.
As autoridades dos países afetados lutam para liberar o trânsito nas estradas, remover os destroços e tentar localizar as pessoas desaparecidas após chuvas torrenciais, inundações repentinas e deslizamentos de terra.
No sudeste asiático, a Indonésia, país mais afetado, registrou pelo menos 442 mortes e 402 pessoas desaparecidas, segundo um balanço da agência de gestão de desastres.
Na Tailândia, onde pelo menos 162 pessoas morreram em uma das piores inundações da década, as autoridades distribuem ajuda a dezenas de milhares de desabrigados e trabalham para reparar os danos.
Na Malásia, as inundações no estado de Perlis (norte) deixaram dois mortos.
No sul da Ásia, o Centro de Gestão de Desastres (DMC) do Sri Lanka anunciou neste domingo que pelo menos 212 pessoas faleceram após uma semana de chuvas intensas provocadas pelo ciclone Ditwah, enquanto outras 218 continuam desaparecidas.
- Navios de guerra -
Na Indonésia, pelo menos duas cidades da ilha de Sumatra, a mais afetada do país, permaneciam inacessíveis neste domingo. As autoridades anunciaram que dois navios de guerra foram mobilizados nas imediações de Jacarta para entregar ajuda.
"Duas cidades precisam de uma atenção especial devido ao isolamento, Tapanuli Central e Sibolga", declarou Suharyanto, diretor da agência nacional de gestão de desastres. Ele espera que os navios de guerra cheguem a Sibolga na segunda-feira.
No vilarejo de Sungai Nyalo, a quase 100 km da capital de Sumatra Ocidental, Padang, o nível da água caiu neste domingo, o que deixou casas, veículos e plantações cobertos por uma espessa lama cinza.
As autoridades ainda não começaram a limpar as estradas, informaram vários moradores à AFP, e nenhuma ajuda externa chegou à região.
"A maioria dos moradores decidiu ficar, não queriam abandonar suas casas", declarou Idris, 55 anos, que, como muitos indonésios, possui apenas um nome e não tem sobrenome.
Na Tailândia, as autoridades prosseguiam com as buscas por desaparecidos, a distribuição de ajuda e as obras para reparar danos.
O governo tailandês implementou medidas de ajuda para as pessoas afetadas pelas inundações, incluindo uma compensação de até dois milhões de bahts (62.000 dólares, 330.000 reais) para as famílias que perderam integrantes na tragédia.
As críticas à resposta da Tailândia às inundações aumentaram e dois governantes locais foram suspensos de suas funções.
- Sem energia elétrica -
Depois do avanço do ciclone Ditwah no sábado para a Índia, zonas inteiras do norte da cidade mais populosa do Sri Lanka, Colombo, continuavam inundadas no domingo.
"Embora o ciclone tenha deixado o país, as fortes chuvas nas áreas elevadas estão inundando agora as áreas baixas ao longo das margens do rio Kelani", declarou uma fonte do DMC.
O presidente Anura Kumara Dissanayake declarou estado de emergência no sábado, o que confere amplos poderes ao governo nacional para administrar a crise. O Exército foi mobilizado para apoiar os trabalhos de emergência.
"Minha casa está completamente inundada, não sei para onde ir, mas espero encontrar um abrigo seguro para levar minha família", declarou à AFP Selvi, 46 anos, que mora nas imediações de Colombo e carregava quatro sacolas com seus pertences.
O Sri Lanka pediu ajuda internacional para mais de 830.000 deslocados, que se somam a 122.000 pessoas recebidas em abrigos temporários.
Segundo as autoridades, quase um terço da população continua sem acesso à energia elétrica ou água corrente.
Esta é a pior catástrofe natural registrada no país desde 2017, quando inundações e deslizamentos de terra mataram mais de 200 pessoas.
As mudanças climáticas afetam os padrões das tempestades, incluindo a duração e a intensidade das chuvas, que são mais abundantes, com enchentes repentinas e rajadas de vento mais fortes.
H.Gerber--VB