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Colômbia aguarda decisão contra ex-presidente Uribe por subornar paramilitares
A Colômbia conhecerá nesta terça-feira (21) a decisão que determinará se o influente ex-presidente Álvaro Uribe deverá cumprir ou não 12 anos de prisão domiciliar por manipular paramilitares para que negassem sua relação com os violentos esquadrões antiguerra.
Uma juíza condenou o ex-presidente (2002-2010) em agosto à pena máxima possível por suborno e fraude processual, na etapa final de um caso que o tornou o primeiro ex-presidente da história do país a ser condenado penalmente e privado da liberdade.
Segundo a decisão de primeira instância, o líder da direita colombiana, de 73 anos, pressionou paramilitares detidos para que o desvinculassem de sua organização, responsável por massacres, desaparecimentos e outros crimes no âmbito do conflito armado.
Após passar quase 20 dias em prisão domiciliar, o ex-mandatário se defende em liberdade amparado por uma decisão de um tribunal de Bogotá. A defesa de Uribe recorreu da sentença e agora a mesma corte deve decidir se a ratifica, com ou sem modificações, ou se anula a condenação.
O processo judicial mais midiático do século no país começou em 2018, quando a Suprema Corte iniciou uma investigação contra Uribe por seus vínculos com paramilitares após as denúncias do senador de esquerda e atual pré-candidato à presidência Iván Cepeda.
O ex-paramilitar detido Juan Guillermo Monsalve virou a principal testemunha ao relatar como um advogado de Uribe tentou suborná-lo. O advogado Diego Cadena ofereceu benefícios a Monsalve para alterar seu depoimento, mas este o gravou com uma câmera escondida em seu relógio.
A Justiça colombiana condenou Cadena a sete anos de prisão domiciliar por suborno no mesmo processo.
Uribe sempre negou vínculos com paramilitares e afirma que o processo é fruto de uma perseguição da esquerda, que está no poder sob a liderança do presidente Gustavo Petro.
Mas seu nome aparece em pelo menos três investigações adicionais pela fundação e financiamento de um grupo paramilitar, vários massacres e o assassinato de um defensor dos direitos humanos. Todas estão sob a responsabilidade da Procuradoria colombiana.
Se a condenação for ratificada, Uribe e sua equipe jurídica poderão apresentar um recurso de cassação à Suprema Corte. O tribunal analisará primeiro se o recurso é válido e, neste caso, a resolução poderá levar meses ou anos.
Uribe é muito popular por sua perseguição intensa à guerrilha durante dois mandatos consecutivos.
Contudo, as autoridades registraram naquele período graves violações dos direitos humanos, como o assassinato de milhares de civis em ações do Exército, apresentados como guerrilheiros mortos em combate em troca de benefícios.
D.Schaer--VB