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Desafeto de Trump, procuradora-geral de Nova York é indiciada por fraude
A procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, que processou com sucesso o presidente Donald Trump, foi indiciada nesta quinta-feira (9) por acusações de fraude, tornando-se o segundo desafeto do republicano acusado judicialmente nas últimas semanas.
James, de 66 anos, foi indiciada perante o grande júri de Alexandria, no estado da Virgínia, por fraude hipotecária e por assuntos relacionados a uma propriedade que ajudou sua sobrinha a adquirir na Virgínia.
O indiciamento por fraude bancária e declaração falsa a uma instituição financeira ocorre um dia depois que outro forte opositor de Trump, o ex-diretor do FBI (polícia federal) James Comey, se declarou inocente em um caso aparte.
"Essas acusações sem fundamento e as próprias declarações públicas do presidente deixam claro que seu único objetivo é uma represália política a qualquer custo", disse Letitia James em um vídeo publicado nas redes sociais, ao acrescentar que as atitudes de Trump "são uma grave violação de nossa ordem constitucional".
- Casos contra opositores -
Os casos contra James e Comey foram apresentados por Lindsey Halligan, uma promotora federal indicada pelo presidente republicano.
As acusações acontecem depois que o promotor federal para o Distrito Leste da Virgínia, Erik Siebert, renunciou após informar ao Departamento de Justiça que não havia provas suficientes para apresentar denúncias contra os dois.
O presidente Trump cobrou recentemente em público a procuradora-geral Pam Bondi para que tomasse atitudes contra James, Comey e outras figuras que o mandatário vê como inimigos, em uma escalada contra seus adversários políticos.
Depois que Trump deixou a Casa Branca em 2021, James apresentou um importante caso civil por fraude contra o magnata, alegando que ele e sua empresa imobiliária haviam inflado ilegalmente sua riqueza e manipulado o valor das propriedades para obter empréstimos bancários favoráveis ou melhores condições na contratação de seguros.
Um juiz do estado de Nova York determinou a Trump o pagamento de 464 milhões de dólares (cerca de R$ 2,5 bilhões, na cotação atual), mas um tribunal superior eliminou depois a sanção financeira enquanto manteve a decisão de mérito.
Além de James e Comey, Trump também pediu publicamente o indiciamento do senador democrata Adam Schiff, e de seu próprio ex-assessor de Segurança Nacional, John Bolton.
- Perseguição seletiva -
Comey, de 64 anos, declarou-se inocente na quarta-feira das acusações por supostas declarações falsas ao Congresso e de obstruir um procedimento do Congresso. O juiz marcou o início do julgamento para 5 de janeiro.
Caso seja condenado, Comey pode pegar até cinco anos de prisão. Seu advogado, Patrick Fitzgerald, disse que tem a intenção de apresentar uma moção para que o caso seja desconsiderado por se tratar de perseguição seletiva e vingativa.
A acusação contra Comey acontece no âmbito de seu depoimento à Comissão de Justiça do Senado em 2020 sobre a investigação que ele liderou enquanto chefiava o FBI sobre se a Rússia interferiu nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.
Comey foi nomeado diretor do FBI pelo então presidente Barack Obama em 2013, e foi demitido por Trump em 2017 em meio à investigação sobre a possível colusão com Moscou para influenciar nas eleições de 2016.
Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump tomou uma série de medidas punitivas contra aqueles que considera seus inimigos, demitindo funcionários do governo, visando escritórios de advocacia envolvidos em casos anteriores contra si e retirando verba federal de universidades.
B.Baumann--VB