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Furacão Milton deixa ao menos quatro mortos e milhões de lares sem eletricidade na Flórida
Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de três milhões de casas na Flórida estão sem eletricidade devido à passagem de Milton, um furacão enfraquecido para a categoria 1, mas ainda muito perigoso, que provocou graves inundações neste estado do sudeste dos Estados Unidos.
Milton chega apenas duas semanas após o fenômeno Helene devastar a Flórida e outros estados do sudeste, deixando pelo menos 236 mortos.
Em um comunicado em seu site, o condado de St. Lucie, no leste da Flórida, confirmou nesta quinta-feira "quatro vítimas mortais" na sequência de dois tornados provocados pelo Milton.
O Centro Nacional de Furacões (NHC) informou por volta das 20h30 de quarta-feira (21h30 no horário de Brasília) que Milton atingiu a costa "perto de Siesta Key, no condado de Sarasota", na costa oeste da Flórida, como um furacão de categoria 3 em uma escala de 5. Durante a noite, foram registrados ventos extremos de até 165 km/h, segundo dados do NHC.
"O vento foi a coisa mais assustadora porque os prédios se moviam e as janelas faziam barulho, embora fossem à prova de tempestades", disse Carrie Elizabeth, moradora de Sarasota, nesta quinta-feira.
Milton reduziu novamente sua força durante a madrugada, para um furacão de categoria 1, mas continuou registrando ventos fortes de até 140 km/h na manhã desta quinta-feira, segundo o NHC.
O presidente dos EUA, Joe Biden, repetiu em diversas ocasiões que Milton tinha força para se tornar "a pior tempestade na Flórida em um século".
Acompanhada por "ventos extremos" e chuvas fortes, a mega tempestade causou inundações "instantâneas" na chegada, afirmou o relatório do NHC.
Também provocou tornados antes de atingir o centro e sul do estado, segundo o Weather Channel.
Pouco antes de Milton chegar ao continente, o governador da Flórida, Ron DeSantis, pediu aos habitantes do estado que "ficassem dentro de casa e longe das estradas".
Segundo DeSantis, mais de três milhões de casas ficaram sem eletricidade devido ao furacão.
Milton deve se mover agora em direção ao Oceano Atlântico. Os aeroportos de Tampa e Sarasota estão fechados até novo aviso.
- "Nervoso" -
Por onde Milton passou, os moradores confinaram-se antecipadamente, em suas residências ou em centros autorizados.
Antes da tempestade chegar a Tampa, Randy Prior, 36 anos, estava "nervoso".
"Ainda estamos nos recuperando" do furacão Helene, que deixou "o solo encharcado", disse.
Em outra cidade grande, Fort Myers, Debbie Edwards, que decidiu não sair, observou que todos estavam "ansiosos".
"É como se a síndrome de estresse pós-traumático tivesse se instalado" após outro furacão devastador, o Ian, há dois anos.
A Flórida, terceiro estado mais populoso do país e destino turístico frequente, está acostumada com furacões.
Segundo os cientistas, a mudança climática desempenha um papel na rápida intensificação dos furacões, porque as superfícies oceânicas mais quentes liberam mais vapor d'água, o que dá mais energia às tempestades e intensifica os seus ventos.
As chuvas e ventos provocados pelo furacão Helene foram 10% mais intensos devido à mudança climática, segundo um estudo publicado na quarta-feira pela World Weather Attribution (WWA).
- Eleições e teorias da conspiração -
O presidente Biden foi informado sobre os "impactos iniciais" do Milton, segundo a Casa Branca, já que a resposta do governo democrata será acompanhado de perto pelos republicanos a quatro semanas da eleição presidencial.
Donald Trump e seus aliados republicanos de extrema direita fizeram dos desastres de Helene e Milton um tema de campanha.
Rapidamente se propagaram teorias da conspiração sobre o impacto do governo no clima e desinformação sobre o suposto fracasso do governo Biden e da candidata democrata, Kamala Harris, em sua resposta à emergência.
"O oeste da Carolina do Norte, e todo o estado, aliás, foram totalmente e incompetentemente mal administrados por Harris e Biden", disse Trump na quarta-feira em sua rede Truth Social.
"Aguente firme e vote para que esses horríveis 'funcionários públicos' saiam do cargo", acrescentou.
Harris provocou Trump em um programa de TV na noite de terça-feira: "Você não tem empatia pelo sofrimento das pessoas?", questionou.
T.Ziegler--VB